Claire de Lune
Enquanto a chuva desaba torrencialmente lá fora, fico a repassar mentalmente todos os projetos estabelecidos e não cumpridos. Todas as amarguras vividas, os amores passados e oportunidades perdidas. Um estranho sorriso brota de meus lábios. Não há explicação para o mesmo, haja visto minha doença terminal e o tempo chuvoso que agrava ainda mais as dores em minhas costas.
A televisão, minha única distração, não me traz nada além de futilidades e me oferece um estilo de vida incompatível com a minha idade e mais ainda, minha mentalidade. O violão está abandonado por que meus dedos não têm força sequer para um dó maior. A mim só resta contentar-me com a dificultosa leitura e com a visita esporádica de meu filho. Aliás, acredito que hei de vê-lo hoje.
A chuva aumenta e ri de mim ao bater de encontro à minha janela. "Egoísta"; ela diz. Zomba da disparidade entre meu combalido corpo e minha lúcida mente.
Volto a relembrar meu passado e procuro visualizar onde errei. Percebo que, ao contrário do que dizem, o abandono sofrido não foi nada mais do que consequência natural de meu comportamento. Restou-me apenas meu próprio ego e a minha inimiga, que teima em rir de mim a não poder.
Retorno à televisão. Uma vagabunda qualquer rebola para conseguir alguns aplausos. Um jovem, com trajes estranhos divulga seu romance "escrito com os culhões". Uma criança me diz para não esquecer de comprar sabonete. Um soldado morre dizendo que nunca esqueceria o seu amado. Não aguento a tortura e desligo o aparelho, estilhaçando em seguida o controle remoto à parede. Tento me levantar, caio e sinto o chão frio esfarelar alguns de meus ossos. Tento chamar pelo enfermeiro, mas não alcanço o botão. Pressinto o fim chegando e a tal paz que o Pastor me disse não vem. em meu último fragmento de consciência diviso a fragilidade da vida e compreendo que é melhor mesmo encerrar minha passagem por aqui mesmo...
terça-feira, dezembro 16, 2003
segunda-feira, novembro 17, 2003
Help me to build - Final
Voltava da escola, mãos dadas com Nadine, quando avistei fumaça vinda de minha casa! Corri, como minhas pernas permitiam, mas não a tempo de evitar o desastre. Uma vez mais mue santuário era queimado e uma vez mais as lágrimas me impediam de agir. Nadine chegou-se a mim, abraçando-me e me dizendo que podíamos fazer tudo de novo, só que agora juntos. Mas ela não entendia minha dor, nem meu segredo:
- Não, Nadine, nada pode ser feito. Não enquanto aqueles malditos empestearem o ar por onde passam com suas vidinhas patéticas. Eu vou me vingar e nada vai me impedir! NADA!!!!
- Max, acalme-se! Isso não leva a lugar nenhum, você bem sabe.
- Se você não me apóia, você está contra mim! SUMA!
- Mas...
- Sem mas!!! DE-SA-PA-RE-ÇA!!!
E às lágrimas ela me abandonou, muito mais por medo do que pelo ódio que eu julagava que ela sentisse. Só então percebi que meu anel brilhava mais do que o comum. Mas, tomado pelo ódio e pela obstinação, fui ao "Clube", onde meu rival reunia seus amigos para beber e fumar às escondidas. Não havia em mim qualquer traço de humanidade; eu era uma besta ensandecida:
- Saia agora daí, seu animal! Você vai pagar pelo que fez!
- Qualé, manezão. Só porque eu queimei a sua casinha gay você vai estressar? Constrói de novo, que eu vou lá e queimo.
Apliquei-lhe um direto de direita tão forte que dois incisivos voaram em pleno ar. Quando ele caiu, chutei-o muitas e muitas vezes; sentindo minha mão queimar conforme a sede de sangue aumentava. Eu podia matá-lo, eu queria matá-lo e assim eu o faria se uma doce voz não me impedisse:
- Max! Pare! Você já provou o que queria, venha comigo e esqueça esse maldito.
Reconstituído de minhas faculdades mentais divisei que Nadine estava certa e que aquilo não valia a pena. Beijei-a longamente e, de mãos dadas, voltamos à minha casa.
Chegndo lá, qual não foi meu espanto ao meu meu castelo inteiro, como se nada houvesse acontecido, olhei atônito para Nadine e então entendi:
- Era você?
- Sim meu amor. Eu lhe dei o anel para selar nossa união. Agora venha comigo para dentro e deixemos esse maldito mundo para trás.
Entramos e eu pude ouvir a porta batendo atrás de mim para nunca mais se abrir. Enquanto íamos ao nosso quarto, eu via e sentia as chamas consumirem as paredes mais uma vez. Mas nada disso importava agora, pois eu seria feliz, e para sempre.
Voltava da escola, mãos dadas com Nadine, quando avistei fumaça vinda de minha casa! Corri, como minhas pernas permitiam, mas não a tempo de evitar o desastre. Uma vez mais mue santuário era queimado e uma vez mais as lágrimas me impediam de agir. Nadine chegou-se a mim, abraçando-me e me dizendo que podíamos fazer tudo de novo, só que agora juntos. Mas ela não entendia minha dor, nem meu segredo:
- Não, Nadine, nada pode ser feito. Não enquanto aqueles malditos empestearem o ar por onde passam com suas vidinhas patéticas. Eu vou me vingar e nada vai me impedir! NADA!!!!
- Max, acalme-se! Isso não leva a lugar nenhum, você bem sabe.
- Se você não me apóia, você está contra mim! SUMA!
- Mas...
- Sem mas!!! DE-SA-PA-RE-ÇA!!!
E às lágrimas ela me abandonou, muito mais por medo do que pelo ódio que eu julagava que ela sentisse. Só então percebi que meu anel brilhava mais do que o comum. Mas, tomado pelo ódio e pela obstinação, fui ao "Clube", onde meu rival reunia seus amigos para beber e fumar às escondidas. Não havia em mim qualquer traço de humanidade; eu era uma besta ensandecida:
- Saia agora daí, seu animal! Você vai pagar pelo que fez!
- Qualé, manezão. Só porque eu queimei a sua casinha gay você vai estressar? Constrói de novo, que eu vou lá e queimo.
Apliquei-lhe um direto de direita tão forte que dois incisivos voaram em pleno ar. Quando ele caiu, chutei-o muitas e muitas vezes; sentindo minha mão queimar conforme a sede de sangue aumentava. Eu podia matá-lo, eu queria matá-lo e assim eu o faria se uma doce voz não me impedisse:
- Max! Pare! Você já provou o que queria, venha comigo e esqueça esse maldito.
Reconstituído de minhas faculdades mentais divisei que Nadine estava certa e que aquilo não valia a pena. Beijei-a longamente e, de mãos dadas, voltamos à minha casa.
Chegndo lá, qual não foi meu espanto ao meu meu castelo inteiro, como se nada houvesse acontecido, olhei atônito para Nadine e então entendi:
- Era você?
- Sim meu amor. Eu lhe dei o anel para selar nossa união. Agora venha comigo para dentro e deixemos esse maldito mundo para trás.
Entramos e eu pude ouvir a porta batendo atrás de mim para nunca mais se abrir. Enquanto íamos ao nosso quarto, eu via e sentia as chamas consumirem as paredes mais uma vez. Mas nada disso importava agora, pois eu seria feliz, e para sempre.
Help me to build - Part II
O verbo dito por aquela jovem ecoava em minha mente como os acordes poderosos de uma melodia hipnótica. Inconsolado com as pessoas e abandonado por todos os raros amigos à solidão; resolvi investir tudo em meu castelo. Faltava aulas, não comia, dormia apenas quando o corpo não mais aguentava o cansaço. Em pouco menos de um mês tinha em meu sntuário com o dobro do tamanho e muito mais bonito do que quando ele fora reconstruído daquela forma estranha.
Tudo estava perfeito e a felicidade ameaçava instalar-se novamente em meu coração. Chegava de mansinho buscando um lugar e, num dia de sol enquanto eu trabalhava, ela tomou forma:
- Olá! É um belo trabalho esse que você está fazendo. Alguém na tua idade dificilmente conseguiria fazer o que você faz.
Virei-me e jamais esquecerei o que minhas retinas registraram. Ela era linda, tinha os cabelos totalmente brancos e olhos de um negrum einacreditável. Seu sorriso encantador demonstrava que seu elogio era verdadeiro:
- Assim eu fico sem jeito, nunca elogiaram meu trabalho. Quer conhecer o itnerior? A propoósito, me chamo Max.
- Nadine. E seria um prazer conhecer tão bela obra.
Caminhamos pelos corredores criados por minhas próprias mãos e fui apresentando e contando cada segredo escondido nos cômodos. Nadine retornava todos os dias ao castelo e líamos, ríamos ou simplesmente éramos felizes. A companheira que meu lar tanto esperara havia chegado.
À insistência de meu amor, voltei a ter vida social. Frequentar a escola e outras inutilidades do gênero. Uma vez mais eu era incomodado pelos valentões. Agora mais ainda, pois a presença de Nadine ao meu lado chamava muito a atenção de meusupostos inimigos. Fazia-me de superior e não dava a mínima. Até agora.
O verbo dito por aquela jovem ecoava em minha mente como os acordes poderosos de uma melodia hipnótica. Inconsolado com as pessoas e abandonado por todos os raros amigos à solidão; resolvi investir tudo em meu castelo. Faltava aulas, não comia, dormia apenas quando o corpo não mais aguentava o cansaço. Em pouco menos de um mês tinha em meu sntuário com o dobro do tamanho e muito mais bonito do que quando ele fora reconstruído daquela forma estranha.
Tudo estava perfeito e a felicidade ameaçava instalar-se novamente em meu coração. Chegava de mansinho buscando um lugar e, num dia de sol enquanto eu trabalhava, ela tomou forma:
- Olá! É um belo trabalho esse que você está fazendo. Alguém na tua idade dificilmente conseguiria fazer o que você faz.
Virei-me e jamais esquecerei o que minhas retinas registraram. Ela era linda, tinha os cabelos totalmente brancos e olhos de um negrum einacreditável. Seu sorriso encantador demonstrava que seu elogio era verdadeiro:
- Assim eu fico sem jeito, nunca elogiaram meu trabalho. Quer conhecer o itnerior? A propoósito, me chamo Max.
- Nadine. E seria um prazer conhecer tão bela obra.
Caminhamos pelos corredores criados por minhas próprias mãos e fui apresentando e contando cada segredo escondido nos cômodos. Nadine retornava todos os dias ao castelo e líamos, ríamos ou simplesmente éramos felizes. A companheira que meu lar tanto esperara havia chegado.
À insistência de meu amor, voltei a ter vida social. Frequentar a escola e outras inutilidades do gênero. Uma vez mais eu era incomodado pelos valentões. Agora mais ainda, pois a presença de Nadine ao meu lado chamava muito a atenção de meusupostos inimigos. Fazia-me de superior e não dava a mínima. Até agora.
segunda-feira, novembro 03, 2003
Help me to Build - Part I
Fui uma criança solitária e não conheci sequer o aconchego e a segurança dos braços de meus pais. Os deuses negaram-me tudo o que é necessário ao bom desenvolvimento de uma criança. Por conta disso, alicercei-me por minha conta e risco. Construí, aos fundos de minha casa, o meu lugar secreto. O refúgio ante todas as dificuldades e torturas que só quem sobreviveu à adolescência conhece.
Enquanto os de minha idade preocupavam-se em namorar e desposar lindas jovens eu apenas construía, aumentava meu refúgio, na esperança de um dia não mais ser sozinho. Criava cômodos, quadros, móveis. A espera de uma companheira imaginária que, meu coração sabia, não iria jamais chegar.
Eu era feliz alimetando minhas fantasias, até que sobreveio a desgraça. Seguido por meus algozes do colegial, fui amarrado à entrada de meu santuário e aenas assisti, imóvel e aos prantos, enquanto tudo era destruído, violado e por fim queimado; ao som das gargalhadas dos malditos. Por horas gritei e implore, sem resultado, que me deixassem sair. Só fui libertado à noite, por uma bela jovem que enxugou minhas lágrimas e se foi, abandonando-me.
Em desepero tentava salvar do fogo pedaços de meu lugar, inutilmente. O sangue brotava de meus pulsos e jurei, por minha honra, reparar meu santuário e fazer com que os malitos pagassem. Trabalhei varando a noite e adormeci sob o calor das chamas que consumiam como que pedaços de mim.
Acordei com o som de uma voz doce a sussurrar meu nome. Levantei-me em um átimo e qual não foi minha surpresa ao ver meu santuário em pé, inteiro, como sempre esteve desde sempre. Indageui como aquilo fora possível e a jovem, de cabelos brancos e olhos negros, respondeu-me:
- Aceite meu presente e construa...
Suas mãos portavam um anel, que brilhava como que me chamando. Tomei-o e um clarão surgiu, ofuscando-me. Quando recuperei a visão, a mulher não estava mais lá. E o anel estava em meu dedo.
Fui uma criança solitária e não conheci sequer o aconchego e a segurança dos braços de meus pais. Os deuses negaram-me tudo o que é necessário ao bom desenvolvimento de uma criança. Por conta disso, alicercei-me por minha conta e risco. Construí, aos fundos de minha casa, o meu lugar secreto. O refúgio ante todas as dificuldades e torturas que só quem sobreviveu à adolescência conhece.
Enquanto os de minha idade preocupavam-se em namorar e desposar lindas jovens eu apenas construía, aumentava meu refúgio, na esperança de um dia não mais ser sozinho. Criava cômodos, quadros, móveis. A espera de uma companheira imaginária que, meu coração sabia, não iria jamais chegar.
Eu era feliz alimetando minhas fantasias, até que sobreveio a desgraça. Seguido por meus algozes do colegial, fui amarrado à entrada de meu santuário e aenas assisti, imóvel e aos prantos, enquanto tudo era destruído, violado e por fim queimado; ao som das gargalhadas dos malditos. Por horas gritei e implore, sem resultado, que me deixassem sair. Só fui libertado à noite, por uma bela jovem que enxugou minhas lágrimas e se foi, abandonando-me.
Em desepero tentava salvar do fogo pedaços de meu lugar, inutilmente. O sangue brotava de meus pulsos e jurei, por minha honra, reparar meu santuário e fazer com que os malitos pagassem. Trabalhei varando a noite e adormeci sob o calor das chamas que consumiam como que pedaços de mim.
Acordei com o som de uma voz doce a sussurrar meu nome. Levantei-me em um átimo e qual não foi minha surpresa ao ver meu santuário em pé, inteiro, como sempre esteve desde sempre. Indageui como aquilo fora possível e a jovem, de cabelos brancos e olhos negros, respondeu-me:
- Aceite meu presente e construa...
Suas mãos portavam um anel, que brilhava como que me chamando. Tomei-o e um clarão surgiu, ofuscando-me. Quando recuperei a visão, a mulher não estava mais lá. E o anel estava em meu dedo.
quarta-feira, outubro 29, 2003
Finally, the end!
Não me peçam descrições detalhadas sobre o que aconteceu, haja visto que mesmo agora, enquanto escrevo essas linhas, não compreendo o ocorrido. Sei apenas que, assim que concordei com a estranha condição de Racla, uma luz imensa tomou conta do lugar, uma tontura estranha me invadiu e me vi novamente ao piano, apresentando-me aos mascarados da festa de Racla. O estranho dejá vu chegava a nausear-me. Aguadava novamente o grito de Clara para então poder mudar o maldito desfecho daquela noite. Mas o grito não veio.
Intrigado, deixei por isso mesmo e agradeci aos deuses a nova chance. Ao final de meu número, fui ao fundo do palco encontrar meu amor e não acreditei em meus olhos. Clara devorava carne crua às dentadas, juntamente com os dois homenzarrões da perseguição. Tomado pela fúria e pelo desespero, apenas pensei em fugir. Mas, ao girar dos calcanhares, dei de cara com a responsável por tudo aquilo:
- Aonde você pensa que vai? Temos um trato, lembra-se?
- Eu estou me lixando para esse maldito trato! Clara! Vamos embora daqui!
Uma voz difrente, nefasta, respondeu-me:
- Por que meu querido? A Racla é tão amistosa e legal com a gente. Nós podemos até nos divertir bastante juntos...
Ao término dessa frase, Clara aproximou-e de Racla e a beijou. Tão apaixonadamente quanto me beijava em nossos momentos mais íntimos. Impossível manter a sanidade diante de ateradora visão! Aproveitando a distração de todos pus-me a correr em direção a multidão. Ledo erro.
Abria caminho pela multidão de mascarados, que não intervia em minha passagem, mas faziam pior. Mostravam-me seus rostos. Figuras cadavéricas, pedaços de carne faltante junto aos ossos, vermes atravessando buracos na pele do rosto; tudo isso ainda é nítido em minha memória. Quando finalmente chego à saída, duas mulheres abraçadas me esperam; ambas trajam máscaras iguais, aparentemente de cerâmica, brancas, para contrastar com o negrume unfinito de seus vestidos. Decido não forçar passagem:
- Por favor, eu preciso sair desse lugar. Ajudem-me!
- Mas é claro! Siga-nos.
- Irei aonde quiserem, mas mostrem-me seus rostos.
Ante meu pedido, caíram as máscaras e também minha sanidade me abandonou. Ambas tinham o rosto esguio, olhos vermelhos e dentes! Dentes afiados como as presas de um lobo! As estranhas figuras sibilavam para mim, me amendrontando ainda mais:
- Você não ouse ssair do casstelo de Racla! Ninguém deixa essse lugar vivo! Você vai sse tronar um de nóss asssim como ssua linda noivinha.
Uma estranha força dominou-me e voltei a correr, por entre a multidão que limitava-se a rir, freneticamente, hipnotizando-me e me deixando ainda mais perdido. Então, milagroamente, uma porta. Arrombei-a e pude sentir o ar da noite.
Corri até meu carro, pensando apenas em salvar minha vida e dirigi, sem olhar para trás, até o lugar onde antes havia capotado. Ao chegar lá, deparo-me com o mesmo Buick preto, trancando a pista e me esperando.
Desço, resignado, mas escondendo em minha manga um revólver, com o qual esparava defender-me. Os canibais imobilizaram-me e me levaram até perto do carro, onde Racla e Clara me esperavam:
- Você sabe que é meu, Pianista. Ninguém foge de mim.
Ao dizer isso, Racla lambia meu rosto, causando-me náuseas.
Tomei então da arma e disparei, dois tiros certeiros em Racla, que tombou. Seus homens, atônitos, não foram rápidos o suficiente para evitar que eu rolasse barranco abaixo. Ouvi apenas o grito inumano que brotava da garganta de minha outrora doce Clara.
Agora, escondido, relato a quem encontrar essa carta o meu trágico destino. Que Deus apiede-se de mim.
- Olá, meu amor. Eu sabia que iria encontrar-te.
- Eu também. Ou você achou que se livraria assim tão facilmente de mim?
- Como você pode estar viva?
- Não tente compreender, apenas aceite seu detino. Clara, faça as honras...
- Não Clara! Lembre-se de mim, por favor, pare!
- Você prometeu cumprir a ordem dela, agora pague o preço! dê-me sua mão.
- Esta pedra deve servir. Aqui vai!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!! Minha mão! Minha mão! Maldita! Mal... di.. t...
- Apagou! Agora, minha escolhida, mate tua fome e seja minha herdeira...
- Sim, meu amor...
Não me peçam descrições detalhadas sobre o que aconteceu, haja visto que mesmo agora, enquanto escrevo essas linhas, não compreendo o ocorrido. Sei apenas que, assim que concordei com a estranha condição de Racla, uma luz imensa tomou conta do lugar, uma tontura estranha me invadiu e me vi novamente ao piano, apresentando-me aos mascarados da festa de Racla. O estranho dejá vu chegava a nausear-me. Aguadava novamente o grito de Clara para então poder mudar o maldito desfecho daquela noite. Mas o grito não veio.
Intrigado, deixei por isso mesmo e agradeci aos deuses a nova chance. Ao final de meu número, fui ao fundo do palco encontrar meu amor e não acreditei em meus olhos. Clara devorava carne crua às dentadas, juntamente com os dois homenzarrões da perseguição. Tomado pela fúria e pelo desespero, apenas pensei em fugir. Mas, ao girar dos calcanhares, dei de cara com a responsável por tudo aquilo:
- Aonde você pensa que vai? Temos um trato, lembra-se?
- Eu estou me lixando para esse maldito trato! Clara! Vamos embora daqui!
Uma voz difrente, nefasta, respondeu-me:
- Por que meu querido? A Racla é tão amistosa e legal com a gente. Nós podemos até nos divertir bastante juntos...
Ao término dessa frase, Clara aproximou-e de Racla e a beijou. Tão apaixonadamente quanto me beijava em nossos momentos mais íntimos. Impossível manter a sanidade diante de ateradora visão! Aproveitando a distração de todos pus-me a correr em direção a multidão. Ledo erro.
Abria caminho pela multidão de mascarados, que não intervia em minha passagem, mas faziam pior. Mostravam-me seus rostos. Figuras cadavéricas, pedaços de carne faltante junto aos ossos, vermes atravessando buracos na pele do rosto; tudo isso ainda é nítido em minha memória. Quando finalmente chego à saída, duas mulheres abraçadas me esperam; ambas trajam máscaras iguais, aparentemente de cerâmica, brancas, para contrastar com o negrume unfinito de seus vestidos. Decido não forçar passagem:
- Por favor, eu preciso sair desse lugar. Ajudem-me!
- Mas é claro! Siga-nos.
- Irei aonde quiserem, mas mostrem-me seus rostos.
Ante meu pedido, caíram as máscaras e também minha sanidade me abandonou. Ambas tinham o rosto esguio, olhos vermelhos e dentes! Dentes afiados como as presas de um lobo! As estranhas figuras sibilavam para mim, me amendrontando ainda mais:
- Você não ouse ssair do casstelo de Racla! Ninguém deixa essse lugar vivo! Você vai sse tronar um de nóss asssim como ssua linda noivinha.
Uma estranha força dominou-me e voltei a correr, por entre a multidão que limitava-se a rir, freneticamente, hipnotizando-me e me deixando ainda mais perdido. Então, milagroamente, uma porta. Arrombei-a e pude sentir o ar da noite.
Corri até meu carro, pensando apenas em salvar minha vida e dirigi, sem olhar para trás, até o lugar onde antes havia capotado. Ao chegar lá, deparo-me com o mesmo Buick preto, trancando a pista e me esperando.
Desço, resignado, mas escondendo em minha manga um revólver, com o qual esparava defender-me. Os canibais imobilizaram-me e me levaram até perto do carro, onde Racla e Clara me esperavam:
- Você sabe que é meu, Pianista. Ninguém foge de mim.
Ao dizer isso, Racla lambia meu rosto, causando-me náuseas.
Tomei então da arma e disparei, dois tiros certeiros em Racla, que tombou. Seus homens, atônitos, não foram rápidos o suficiente para evitar que eu rolasse barranco abaixo. Ouvi apenas o grito inumano que brotava da garganta de minha outrora doce Clara.
Agora, escondido, relato a quem encontrar essa carta o meu trágico destino. Que Deus apiede-se de mim.
- Olá, meu amor. Eu sabia que iria encontrar-te.
- Eu também. Ou você achou que se livraria assim tão facilmente de mim?
- Como você pode estar viva?
- Não tente compreender, apenas aceite seu detino. Clara, faça as honras...
- Não Clara! Lembre-se de mim, por favor, pare!
- Você prometeu cumprir a ordem dela, agora pague o preço! dê-me sua mão.
- Esta pedra deve servir. Aqui vai!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!! Minha mão! Minha mão! Maldita! Mal... di.. t...
- Apagou! Agora, minha escolhida, mate tua fome e seja minha herdeira...
- Sim, meu amor...
sexta-feira, outubro 24, 2003
Part II
Nada havia me preparado para aquilo. Assim que ouvi os gritos de Clara, corri para o fundo do palco e vi; dois homens comiam o que pareciam ser pedaços de carne crua, arrancavam nacos enormes sem sequer se preocupar com quem estivesse por perto. Ante àquela estranha visão, vomitei a ponto de sujar toda minha roupa. Amparado por Clara, exclamei enquanto me recuperava:
- Vocês estão malucos? Isso é nojento! Aonde está Racla que não toma uma providência?
Imediatamente uma voz doce, porém de uma estranha força, respondeu-me:
- Mas eles estão apenas experimentando a carne para ver se está fresca; antes de servi-la a todos.
Atônito, não pude responder. Clara interviu em meu socorro:
- Deus mulher! Isso é inconcebível! Vamos embora daqui meu amor, por favor. Eu odiei este lugar desde que pisei aqui.
- Esqueça seu dinheiro Racla. Estou indo embora. Adieu!
Fomos ao meu carro e nos dirigiámos à nossa casa. Eu só queria saber de mudar de roupa e da minha cama. Nem mesmo as carícias de Clara em meu rosto conseguiam apagar aquela lembrança nauseante. Seguíamos normalmente nosso caminho quando Clara me diz, surpresa:
- Meu Anjo, estão nos seguindo.
Uma olhadela e a constatação. Os dois "canibais" nos seguiam a uma distância razoável. Pisei fundo para tentar despistá-los. O Buick preto que me seguia também acelerou e iniciamos um "racha" digno de filmes de ação. Porém, num microssegundo de distração, errei um tempo de freada e as consequências foram desastrosas. Um choque com o guard rail e uma capotagem espetacular morro abaixo. Milagrosamente sobrevivi e consegui retirar minha amada, inconsciente, do carro antes que esse explodisse. Os dois homens do Buick pararam e apenas me observavam da estrada.
Recuperado do susto, voltei minha atenção ao meu Anjo. Morta. Apenas um pequeno corte aberto em sua testa, porém, nada de pulso, a vida a abandonara. Um grito gutural brotou e as lágrimas rolavam descontroladamente. Meu pranto só foi interrompido quando senti um toque macio em meu ombro. Racla:
- Você a quer de volta? Eu posso devolvê-la para você.
- É claro que isso tem um preço. O que você quer em troca?
- No momento, apenas que você toque em minha casa toda sexta à noite. Mas quando o tempo chegar, você deverá atender um pedido pedido sem questionar! Aceita?
Eu duvidava ser possível, então aceitei sem pestanejar. E uma vez mais tive uma surpresa maior ainda do que a anterior.
Nada havia me preparado para aquilo. Assim que ouvi os gritos de Clara, corri para o fundo do palco e vi; dois homens comiam o que pareciam ser pedaços de carne crua, arrancavam nacos enormes sem sequer se preocupar com quem estivesse por perto. Ante àquela estranha visão, vomitei a ponto de sujar toda minha roupa. Amparado por Clara, exclamei enquanto me recuperava:
- Vocês estão malucos? Isso é nojento! Aonde está Racla que não toma uma providência?
Imediatamente uma voz doce, porém de uma estranha força, respondeu-me:
- Mas eles estão apenas experimentando a carne para ver se está fresca; antes de servi-la a todos.
Atônito, não pude responder. Clara interviu em meu socorro:
- Deus mulher! Isso é inconcebível! Vamos embora daqui meu amor, por favor. Eu odiei este lugar desde que pisei aqui.
- Esqueça seu dinheiro Racla. Estou indo embora. Adieu!
Fomos ao meu carro e nos dirigiámos à nossa casa. Eu só queria saber de mudar de roupa e da minha cama. Nem mesmo as carícias de Clara em meu rosto conseguiam apagar aquela lembrança nauseante. Seguíamos normalmente nosso caminho quando Clara me diz, surpresa:
- Meu Anjo, estão nos seguindo.
Uma olhadela e a constatação. Os dois "canibais" nos seguiam a uma distância razoável. Pisei fundo para tentar despistá-los. O Buick preto que me seguia também acelerou e iniciamos um "racha" digno de filmes de ação. Porém, num microssegundo de distração, errei um tempo de freada e as consequências foram desastrosas. Um choque com o guard rail e uma capotagem espetacular morro abaixo. Milagrosamente sobrevivi e consegui retirar minha amada, inconsciente, do carro antes que esse explodisse. Os dois homens do Buick pararam e apenas me observavam da estrada.
Recuperado do susto, voltei minha atenção ao meu Anjo. Morta. Apenas um pequeno corte aberto em sua testa, porém, nada de pulso, a vida a abandonara. Um grito gutural brotou e as lágrimas rolavam descontroladamente. Meu pranto só foi interrompido quando senti um toque macio em meu ombro. Racla:
- Você a quer de volta? Eu posso devolvê-la para você.
- É claro que isso tem um preço. O que você quer em troca?
- No momento, apenas que você toque em minha casa toda sexta à noite. Mas quando o tempo chegar, você deverá atender um pedido pedido sem questionar! Aceita?
Eu duvidava ser possível, então aceitei sem pestanejar. E uma vez mais tive uma surpresa maior ainda do que a anterior.
quarta-feira, outubro 22, 2003
Experiments - Parte I
Je vou salue, Marie, pleine de grâces, le Seigneur est avec, vous âtes benie entre toutes les fammes, et Jésu, le fruit de vos entrilles, est beni. Saite Marie, máre de Dieu, priez pour nous, pauvres pécheurs, maintenant et à l? heure de notre mort. Ainsi soit-il!
Essa oração, a única que sei, herdada de minha mãe, é hoje a única maneira que tenho de pedir a quem quer que me ouça nessa escuridão. Peço pelo descanso de sua alma, peço pela paz em meu coração e,mais ainda, peço à Virgem para que me perdoe pelos atos atrozes que cometi e que culminaram nessa maldita tragédia da qual posso considerar-me protagonista. A você, que encontrou esse escrito e não entedeu nada, começarei então a explicar tudo. Essa é minha confissão e também a carta de um homem que se deixou dominar pelo desespero.
Tudo começou em uma linda noite, onde eu apresentava um recital de piano para seletos convidados, todos abastados o suficiente para bancarem minha viagem ao Concurso Chopin com uma única pescada em seus bolsos. Era esse meu objetivo ao me vender àqueles emplumados que nem sequer imaginavam o verdadeiro valor da arte. Doava um pouco de minha paixão em troca de alguns trocados; Deus! Como me sentia sujo! A única coisa que me impedia de abandonar tudo era minha amada Clara. Somente ela tinha o dom de me acalmar e me fazia perceber que aquilo era um mal necessário!
A noite correu como esperado e diversos cheques "voluntários" chegaram ao meu bolso. Menos mal, pois agora o mundo finalmente veria um verdadeiro intérprete em ação. Entediado, abracei minha querida e ia para casa, dispensando farta comida e diversas taças de prosseco, mas, assim que cheguei à porta um toque suave em meu ombro fez virar-me:
- Lindo! Absolutamente maravilhoso! Não há como descrever minhas sensações ao lhe ouvir tocando!
- Bom, se você gostou tanto assim de ouvir meu namorado, pode nos dar um donativo, para que ele possa correr mundo mostrando seu talento. Srta...?
- Racla! Racla Tozzuque! Ficarei feliz em patrocinar um homem tão talentoso, porém, como é meu bolso quem sentirá tenho uma pequena exigência a fazer.
- Pois diga! Será um prazer servir tão linda dama.
- Eu gostaria que você tocasse em uma festa em minha casa!
- Sinto muito, mas meu repertório é exclusivamente erudito!
- Pois é exatamente isso que eu quero que você toque.E por favor, traga sua agaradável namorada também. Eis meu endereço! Estará tudo preparado para sua apresentação, amanhã mesmo!
E à noite fomos, eu e minha Clara, até o endereço determinado. Um castelo, de proporções colossais, localizado nos limites da cidade. Fomos levados pelo pelo porteiro e realizei ser aquele um baile de máscaras, onde todos vestiam-se com a elegância da renascença. Subi ao palco e sob aplausos colorosos pus-me a executar as mais belas valsas de Strauss, muito de Mozart e, é claro, Chopin, minha especialidade.
As coisas não podiam ser mais perfeitas, até o momento em que percebi que minha Clara havia sumido. Não me preocupei de imediato, mas meu sangue gelou ao ouvir um grito estridente vindo detrás do palco. Abandonei meu piano e corri, apenas a tempo de ter uma das mais terríveis visões de minha vida.
Je vou salue, Marie, pleine de grâces, le Seigneur est avec, vous âtes benie entre toutes les fammes, et Jésu, le fruit de vos entrilles, est beni. Saite Marie, máre de Dieu, priez pour nous, pauvres pécheurs, maintenant et à l? heure de notre mort. Ainsi soit-il!
Essa oração, a única que sei, herdada de minha mãe, é hoje a única maneira que tenho de pedir a quem quer que me ouça nessa escuridão. Peço pelo descanso de sua alma, peço pela paz em meu coração e,mais ainda, peço à Virgem para que me perdoe pelos atos atrozes que cometi e que culminaram nessa maldita tragédia da qual posso considerar-me protagonista. A você, que encontrou esse escrito e não entedeu nada, começarei então a explicar tudo. Essa é minha confissão e também a carta de um homem que se deixou dominar pelo desespero.
Tudo começou em uma linda noite, onde eu apresentava um recital de piano para seletos convidados, todos abastados o suficiente para bancarem minha viagem ao Concurso Chopin com uma única pescada em seus bolsos. Era esse meu objetivo ao me vender àqueles emplumados que nem sequer imaginavam o verdadeiro valor da arte. Doava um pouco de minha paixão em troca de alguns trocados; Deus! Como me sentia sujo! A única coisa que me impedia de abandonar tudo era minha amada Clara. Somente ela tinha o dom de me acalmar e me fazia perceber que aquilo era um mal necessário!
A noite correu como esperado e diversos cheques "voluntários" chegaram ao meu bolso. Menos mal, pois agora o mundo finalmente veria um verdadeiro intérprete em ação. Entediado, abracei minha querida e ia para casa, dispensando farta comida e diversas taças de prosseco, mas, assim que cheguei à porta um toque suave em meu ombro fez virar-me:
- Lindo! Absolutamente maravilhoso! Não há como descrever minhas sensações ao lhe ouvir tocando!
- Bom, se você gostou tanto assim de ouvir meu namorado, pode nos dar um donativo, para que ele possa correr mundo mostrando seu talento. Srta...?
- Racla! Racla Tozzuque! Ficarei feliz em patrocinar um homem tão talentoso, porém, como é meu bolso quem sentirá tenho uma pequena exigência a fazer.
- Pois diga! Será um prazer servir tão linda dama.
- Eu gostaria que você tocasse em uma festa em minha casa!
- Sinto muito, mas meu repertório é exclusivamente erudito!
- Pois é exatamente isso que eu quero que você toque.E por favor, traga sua agaradável namorada também. Eis meu endereço! Estará tudo preparado para sua apresentação, amanhã mesmo!
E à noite fomos, eu e minha Clara, até o endereço determinado. Um castelo, de proporções colossais, localizado nos limites da cidade. Fomos levados pelo pelo porteiro e realizei ser aquele um baile de máscaras, onde todos vestiam-se com a elegância da renascença. Subi ao palco e sob aplausos colorosos pus-me a executar as mais belas valsas de Strauss, muito de Mozart e, é claro, Chopin, minha especialidade.
As coisas não podiam ser mais perfeitas, até o momento em que percebi que minha Clara havia sumido. Não me preocupei de imediato, mas meu sangue gelou ao ouvir um grito estridente vindo detrás do palco. Abandonei meu piano e corri, apenas a tempo de ter uma das mais terríveis visões de minha vida.
terça-feira, outubro 21, 2003
Happy Birthday
E eis que hoje faço anos. Assim como você os faz e assim como nosso casamento também. Por um estranho capricho do destino, nascemos no mesmo dia e na mesma hora. Lembro-me ainda do espanto mútuo gerado por essa estranha descoberta. Então, após um bom tempo de namoro, nos casamos; exatamente no dia de nosso aniversário. E hoje eu venho até aqui, apenas para recordar como o fim se deu.
Éramos felizes e tínhamos tudo que um casal poderia querer. Boa casa, bons empregos, dinheiro em quantidade suficiente para podermos viajar uma vez ao ano por até dois meses, ou mesmo para trocar de carro a cada dois anos. Éramos tidos como exemplo de prefeiçao matrimonal entre nossos amigos e muitos chegavam a declarar que invejavam nossa união estável e perfeita.
Mas a perfeição é a pior das armadilhas preparadas para o ser humano, e o deuses nos deram um excelente alerta para que não fôssemos vencidos por esse obstáculo que facilmente devora os desavisados e de mente pequena. Filhos, ou melhor, a ausência deles.
Por culpa de um mal genético em minha família não podíamos ser completos; e todo dia isso me era jogado com a força de facas lançadas contra meu coração. Minha amada declarava-se a mais infeliz de todas as criaturas, culpando-me sempre por essa desgraça. Por muitas vezes sugeri adoção, mas Glorianna tinha isso como fora de cogitação.
O tempo passou, e eu, não conseguindo suportar mais as agressões, refugiei-me no álccol. Tornei-me a mais vil de todas as formas de vida. Agressivo, respondão e desleixado. Não havia mais paz em meu lar.
Numa de minhas muitas bebedeiras, fui recebido aos tapas, e descontrolado, empurrei Glorianna com toda minha força. Na queda, seu pescoço chocou-se na quina da pia e instantaneamente a vida abandonou seu corpo. Em pânico, e sem poder reagir, entreguei-me à justiça a cumpri exatos treze anos de cadeia.
Há um mês estou livre e hoje, dia o nosso décimo terceiro aniversário, venho ao teu túmulo apenas para lhe entregar o que nunca pude lhe dar, uma vida, mesmo que seja a minha. Pois somente assim, teu espírito há de descansar e deixará de atormentar mesu sonhos.
E eis que hoje faço anos. Assim como você os faz e assim como nosso casamento também. Por um estranho capricho do destino, nascemos no mesmo dia e na mesma hora. Lembro-me ainda do espanto mútuo gerado por essa estranha descoberta. Então, após um bom tempo de namoro, nos casamos; exatamente no dia de nosso aniversário. E hoje eu venho até aqui, apenas para recordar como o fim se deu.
Éramos felizes e tínhamos tudo que um casal poderia querer. Boa casa, bons empregos, dinheiro em quantidade suficiente para podermos viajar uma vez ao ano por até dois meses, ou mesmo para trocar de carro a cada dois anos. Éramos tidos como exemplo de prefeiçao matrimonal entre nossos amigos e muitos chegavam a declarar que invejavam nossa união estável e perfeita.
Mas a perfeição é a pior das armadilhas preparadas para o ser humano, e o deuses nos deram um excelente alerta para que não fôssemos vencidos por esse obstáculo que facilmente devora os desavisados e de mente pequena. Filhos, ou melhor, a ausência deles.
Por culpa de um mal genético em minha família não podíamos ser completos; e todo dia isso me era jogado com a força de facas lançadas contra meu coração. Minha amada declarava-se a mais infeliz de todas as criaturas, culpando-me sempre por essa desgraça. Por muitas vezes sugeri adoção, mas Glorianna tinha isso como fora de cogitação.
O tempo passou, e eu, não conseguindo suportar mais as agressões, refugiei-me no álccol. Tornei-me a mais vil de todas as formas de vida. Agressivo, respondão e desleixado. Não havia mais paz em meu lar.
Numa de minhas muitas bebedeiras, fui recebido aos tapas, e descontrolado, empurrei Glorianna com toda minha força. Na queda, seu pescoço chocou-se na quina da pia e instantaneamente a vida abandonou seu corpo. Em pânico, e sem poder reagir, entreguei-me à justiça a cumpri exatos treze anos de cadeia.
Há um mês estou livre e hoje, dia o nosso décimo terceiro aniversário, venho ao teu túmulo apenas para lhe entregar o que nunca pude lhe dar, uma vida, mesmo que seja a minha. Pois somente assim, teu espírito há de descansar e deixará de atormentar mesu sonhos.
quinta-feira, outubro 16, 2003
Scrivimi
Nada como mais um dia na livraria para acalmar os meus ânimos. As palavras desenhadas nas grandes obras tendem a me satisfazer como uma droga da qual é impossível escapar. Leio tudo o que encontro pela frente, de bulas de remédio a instruções de aparelho domésticos.
Volto pra casa após ter incomodado o dono da livraria com meu enorme pedido de livros mensal. Saio, satisfeito por abastecer-me de cultura e sigo distraidamente meu caminho, até ser interpelado por um estranho velho, de barbas longas e que trajava ropas puídas e malcheirosas:
- Por favor, uma ajuda para um necessitado!
Tomei de algumas moedas e as entreguei, sem nem mesmo olhar para aquela estranha figura. Sua reação foi muito inusitada:
- Eu sabia que o senhor era uma alma boa, por favor, aceite esse presente!
E entregou-me um estranho livro, com uma capa já velha, comida por traças e com letras em dourado, nas quais se lia com dificuldade o título da estranha obra: Milagres. Não conhecia a obra e muito menos podia imaginar seu autor; e como não me era possível identificar quem escreveu resolvi perguntar ao velho. Inutilmente, pois ele já havia sumido de minhas vistas.
Levei o estranho livro para casa e ajeitei-me em meu sofá favorito para devorá-la. Mas qual não foi miha surpresa ao perceber que havia apenas uma única frase escrita no livro e que muitas folhas anteriores àquela estavam rasgadas. A palavra Socorro, grafada em letras tremidas tinha um estranho poder sobre mim, causava-me arrepios. Decidi largar a obra de lado e retomar minha vida.
Passou o tempo e nem me lembrava do estranho livro, até encontrar novemente com o velho, interpelei-o e apenas ouvi um murmurado: Escreva... e o velho caiu aos meus pés. Com o coração na boca, apenas pude correr, e o verbo escrever pairava nas áreas desertas de minha mente.
Chego em casa e corro em direção ao livro; a voz do velho ainda ecoa em minha mente. Sento-me defronte ao livro, pego um lápis e escrevo:
Era uma vez...
As palavras desaparecem tão logo escritas e fico sem entender nada; mas, teimoso como sempre decido continuar e começo a escrever coisas vagas:
Esperança, dor, medo, tudo é escrito e desaparece; mudo o parâmetro:
Carro.
Um brilho estranho me cega e, qual minha surpresa ao olhar para minha garagem e ver que lá está um carro, não novo, mas um carro. Me empolgo e começo a "pedir" de tudo. Casa nova, piscina e tudo o mais, sendo sempre bem descritivo, pois, se o livro não "entendesse" o pedido, nada eu recebia. Continuei até não haver nada que eu quisesse naquele momento, tranquei o livro em um cofre e fui me deitar, pensando nas maravilhas conquistadas com meu novo brinquedo. A noite, um estranho sonho povoa a minha mente:
- O Preço!!! Muito cuidado com o Preço!!!
De sobressalto, acordo ainda com a imagem do velho a me sacudir e a gritar. Suando frio, vou ao chuveiro e deixo que a água me acalme. Após a toilette vou ao meu escritório e me sento para novos pedidos. Assim passo o dia e, mesmo querendo ainda mais, vou dormir sentindo-me o rei do mundo.
Uma vez mais, o mesmo sonho.
Manhã! Como um monstro de olhos verdes, corro para pedir, pedir e pedir; escrever, escrever e escrever. Nada me satisfaz, queri cada vez mais. Preciso preencher o livro todo. Não vejo as horas passarem e desabo sobre o livro, vencido pelo cansaço.
E durmo apenas para sonhar o mesmo sonho...
Então acordo, dolorido e percebo que meu livro não está comigo. Ouço risadas e barulho de papel rasgando! Em desespero, corro até minha sala e vejo uma figura pequena, de vivos olhos vermelhos, pernas estranhas e UM RABO! A estranha criatura rasgava as páginas de meu livro uma a uma e eu, atônito, apenas observava meus bens desaparecendo e via minha residência tomando sua velha forma. Com o que me restava de forças, venci o pânico e gritei!
- CHEGA! Pare com isso agora! Esse livro é meu!
O estranho ser apenas riu e disse, com uma voz quase sibilada:
- Você quer issso?? SSe quer, pague o Preço!
- Eu pago, pago qualquer coisa!
- Que asssim sseja!
Ao término dessas palavras, senti um calor envolvendo meu corpo e uma tontura absurda. Meus olhos não conseguiam divisar se eu estava voando ou se era apenas tontura. Quando o estranho fenômeno cessou, desmaiei, e, ao acordar, vi que em minha mão havia uma estranha marca, como um selo, em um formato que defino apenas como indecifrável. Na parede de meu ecritório, uma mensagem, escrita com fogo:
Você tem cinco dias, aproveite-os bem!
Sem saber o que fazer, desperdicei quatro dias, e agora, ao final do quinto dia, termino minha história deixando esses escritos e esperando que meu destino se cumpra:
- Vamoss?
- Para onde?
- Minha casa! O lugar onde todos aqueles que acham o Livro devem ir!
E tomando a mão da estranha criatura, escrevo com o sangue que escorre de meu pulso a primeira palavra que surge à minha mente:
Fim
Nada como mais um dia na livraria para acalmar os meus ânimos. As palavras desenhadas nas grandes obras tendem a me satisfazer como uma droga da qual é impossível escapar. Leio tudo o que encontro pela frente, de bulas de remédio a instruções de aparelho domésticos.
Volto pra casa após ter incomodado o dono da livraria com meu enorme pedido de livros mensal. Saio, satisfeito por abastecer-me de cultura e sigo distraidamente meu caminho, até ser interpelado por um estranho velho, de barbas longas e que trajava ropas puídas e malcheirosas:
- Por favor, uma ajuda para um necessitado!
Tomei de algumas moedas e as entreguei, sem nem mesmo olhar para aquela estranha figura. Sua reação foi muito inusitada:
- Eu sabia que o senhor era uma alma boa, por favor, aceite esse presente!
E entregou-me um estranho livro, com uma capa já velha, comida por traças e com letras em dourado, nas quais se lia com dificuldade o título da estranha obra: Milagres. Não conhecia a obra e muito menos podia imaginar seu autor; e como não me era possível identificar quem escreveu resolvi perguntar ao velho. Inutilmente, pois ele já havia sumido de minhas vistas.
Levei o estranho livro para casa e ajeitei-me em meu sofá favorito para devorá-la. Mas qual não foi miha surpresa ao perceber que havia apenas uma única frase escrita no livro e que muitas folhas anteriores àquela estavam rasgadas. A palavra Socorro, grafada em letras tremidas tinha um estranho poder sobre mim, causava-me arrepios. Decidi largar a obra de lado e retomar minha vida.
Passou o tempo e nem me lembrava do estranho livro, até encontrar novemente com o velho, interpelei-o e apenas ouvi um murmurado: Escreva... e o velho caiu aos meus pés. Com o coração na boca, apenas pude correr, e o verbo escrever pairava nas áreas desertas de minha mente.
Chego em casa e corro em direção ao livro; a voz do velho ainda ecoa em minha mente. Sento-me defronte ao livro, pego um lápis e escrevo:
Era uma vez...
As palavras desaparecem tão logo escritas e fico sem entender nada; mas, teimoso como sempre decido continuar e começo a escrever coisas vagas:
Esperança, dor, medo, tudo é escrito e desaparece; mudo o parâmetro:
Carro.
Um brilho estranho me cega e, qual minha surpresa ao olhar para minha garagem e ver que lá está um carro, não novo, mas um carro. Me empolgo e começo a "pedir" de tudo. Casa nova, piscina e tudo o mais, sendo sempre bem descritivo, pois, se o livro não "entendesse" o pedido, nada eu recebia. Continuei até não haver nada que eu quisesse naquele momento, tranquei o livro em um cofre e fui me deitar, pensando nas maravilhas conquistadas com meu novo brinquedo. A noite, um estranho sonho povoa a minha mente:
- O Preço!!! Muito cuidado com o Preço!!!
De sobressalto, acordo ainda com a imagem do velho a me sacudir e a gritar. Suando frio, vou ao chuveiro e deixo que a água me acalme. Após a toilette vou ao meu escritório e me sento para novos pedidos. Assim passo o dia e, mesmo querendo ainda mais, vou dormir sentindo-me o rei do mundo.
Uma vez mais, o mesmo sonho.
Manhã! Como um monstro de olhos verdes, corro para pedir, pedir e pedir; escrever, escrever e escrever. Nada me satisfaz, queri cada vez mais. Preciso preencher o livro todo. Não vejo as horas passarem e desabo sobre o livro, vencido pelo cansaço.
E durmo apenas para sonhar o mesmo sonho...
Então acordo, dolorido e percebo que meu livro não está comigo. Ouço risadas e barulho de papel rasgando! Em desespero, corro até minha sala e vejo uma figura pequena, de vivos olhos vermelhos, pernas estranhas e UM RABO! A estranha criatura rasgava as páginas de meu livro uma a uma e eu, atônito, apenas observava meus bens desaparecendo e via minha residência tomando sua velha forma. Com o que me restava de forças, venci o pânico e gritei!
- CHEGA! Pare com isso agora! Esse livro é meu!
O estranho ser apenas riu e disse, com uma voz quase sibilada:
- Você quer issso?? SSe quer, pague o Preço!
- Eu pago, pago qualquer coisa!
- Que asssim sseja!
Ao término dessas palavras, senti um calor envolvendo meu corpo e uma tontura absurda. Meus olhos não conseguiam divisar se eu estava voando ou se era apenas tontura. Quando o estranho fenômeno cessou, desmaiei, e, ao acordar, vi que em minha mão havia uma estranha marca, como um selo, em um formato que defino apenas como indecifrável. Na parede de meu ecritório, uma mensagem, escrita com fogo:
Você tem cinco dias, aproveite-os bem!
Sem saber o que fazer, desperdicei quatro dias, e agora, ao final do quinto dia, termino minha história deixando esses escritos e esperando que meu destino se cumpra:
- Vamoss?
- Para onde?
- Minha casa! O lugar onde todos aqueles que acham o Livro devem ir!
E tomando a mão da estranha criatura, escrevo com o sangue que escorre de meu pulso a primeira palavra que surge à minha mente:
Fim
segunda-feira, outubro 06, 2003
Uma Homenagem
Lá vamos nós de novo. Outro dia, outra idéia, outro conto. Engraçado o quanto é fácil olhar para essa tela branca e transformar sequências de toques aleatórios em palavras, então em frases. Essas frases em textos e esses textos em livros que formam outras idéias na cabeça de outras pessoas. É quase como uma simbiose; eu sobrevivo transmitindo e meus fãs "sobrevivem" lendo as coisas que com tanto trabalho e suor escrevo.
Mas, como tudo sempre passa, as coisas mudaram. Meus livros não mais vendem, não me procuram, sequer sabem que eu existo. O pouco direito autoral que recebo me permite apenas não passar fome.
Uma editora grande me procura e me pede para que eu escreva algo novo, com a intenção de resssuscitar minha carreira. Reluto, mas as notas postas em minha mão e o ronco de meu estômago me fazem mudar de idéia.
No afã de receber e reencontrar a glória; escrevo uma porcaria sentimentalóide qualquer e entrego. A editora gosta, publica e eu torno a ganhar dinheiro. Compro casa nova, carro novo e abro vaga para empregadas. A fila é grande mas uma se destaca; morena, cabelos lisos e longos, soltos; um corpo escultural e olhos castanhos e vivos. Descarto as outras, pois pensar com a cabeça nunca foi meu forte. Em seu primeiro dia de trabalho Glória me diz:
- Sou sua maior fã. Adorei o seu livro!
A vida corria tranquila e eu, além de escrever, aproveitava a vida ao lado de minha empregada; a qual se podia denominar insaciável. Tudo o que eu escrevia passava pelo seu crivo.
Termino uma nova obra, tão idiota quanto a primeira, e prometo a mim mesmo voltar à velha forma. Dou o manuscrito finalizado à minha amante. Ela apenas sorri e me convida com um olhar:
- Vamos comemorar?
As coisas acontecem como sempre: loucas. Então sou vendado e amarrado, hábito já velho, e aguardo surpresas. Porém em instantes o prazer vira dor e somente consigo sentir pedaços de minha carne arrancados às dentadas. Em meio à dor insuportável apenas pergunto:
- Por quê?
- Você vendeu sua alma por dinheiro. Eu tenho todos os seus antigos livros; era a sua fã número um! Não acredito no que você vem escrevendo! Morra!
E, sentindo o aço penetrar minha pele, expirei...
Lá vamos nós de novo. Outro dia, outra idéia, outro conto. Engraçado o quanto é fácil olhar para essa tela branca e transformar sequências de toques aleatórios em palavras, então em frases. Essas frases em textos e esses textos em livros que formam outras idéias na cabeça de outras pessoas. É quase como uma simbiose; eu sobrevivo transmitindo e meus fãs "sobrevivem" lendo as coisas que com tanto trabalho e suor escrevo.
Mas, como tudo sempre passa, as coisas mudaram. Meus livros não mais vendem, não me procuram, sequer sabem que eu existo. O pouco direito autoral que recebo me permite apenas não passar fome.
Uma editora grande me procura e me pede para que eu escreva algo novo, com a intenção de resssuscitar minha carreira. Reluto, mas as notas postas em minha mão e o ronco de meu estômago me fazem mudar de idéia.
No afã de receber e reencontrar a glória; escrevo uma porcaria sentimentalóide qualquer e entrego. A editora gosta, publica e eu torno a ganhar dinheiro. Compro casa nova, carro novo e abro vaga para empregadas. A fila é grande mas uma se destaca; morena, cabelos lisos e longos, soltos; um corpo escultural e olhos castanhos e vivos. Descarto as outras, pois pensar com a cabeça nunca foi meu forte. Em seu primeiro dia de trabalho Glória me diz:
- Sou sua maior fã. Adorei o seu livro!
A vida corria tranquila e eu, além de escrever, aproveitava a vida ao lado de minha empregada; a qual se podia denominar insaciável. Tudo o que eu escrevia passava pelo seu crivo.
Termino uma nova obra, tão idiota quanto a primeira, e prometo a mim mesmo voltar à velha forma. Dou o manuscrito finalizado à minha amante. Ela apenas sorri e me convida com um olhar:
- Vamos comemorar?
As coisas acontecem como sempre: loucas. Então sou vendado e amarrado, hábito já velho, e aguardo surpresas. Porém em instantes o prazer vira dor e somente consigo sentir pedaços de minha carne arrancados às dentadas. Em meio à dor insuportável apenas pergunto:
- Por quê?
- Você vendeu sua alma por dinheiro. Eu tenho todos os seus antigos livros; era a sua fã número um! Não acredito no que você vem escrevendo! Morra!
E, sentindo o aço penetrar minha pele, expirei...
quinta-feira, outubro 02, 2003
I fell in love with a girl
Noite alta, quase meia noite; hora perfeita para ir à caça. Me encanto com todos os preparativos necessários para se conquistar alguém. Saio de um banho de meia hora e começo minha produção; cremes, perfumes, loções; tudo é cuidadosamente aplicado em sua devida medida e proporção. Cada roupa é escolhida cuidadosamente para que nenhum detalhe esteja com status inferior à perfeição. Em todos esses preparativos consumo tempo suficiente para mudar de idéia e ficar em casa, assisitindo algo mais útil. Mas o desejo vence e, terminando tudo finalmente, vou à caça.
O lugar é o de sempre: Hell´s. Aqui sou um habitué e tenho minha mesa sempre reservada. Como a boate é badaladíssima a variedade de pessoas é impressionante; além de ser um excelente lugar para caçar. Vou à minha mesa, peço meu uísque de sempre e fico à espreita.
Muitos me conhecem e vêm me cumprimentar; outras, casos do passado, nem sequer me olham; e os garçons chamam-me pelo nome.
O tempo passa tão devagar que começo a querer partir tão logo termine meu terceiro copo. Então, como que atendendo ao meu chamado, ela aparece. Loira, alta, olhos claros, cabelos esvoaçantes e um vestido vermelho, longo, acariciando sua forma longilínea. Imediatamente chamo um garçom:
- Quem é essa?
- Ela é nova aqui doutor. Primeira vez.
- Veja o que ela bebe, põe um na minha conta e diga que quero conhecê-la.
- Sim senhor.
Em menos de quinze minutos já estamos a travar um animado diálogo. Conversamos sobre arte, música, filmes, bebidas e outras trivialidades. Então, com ar de enfado, ela diz:
- Esse lugar está chato. Que tal a gente ir a um lugar mais fresco?
- Só se for agora!
Fomos então em meu carro, vagando; pois ela dizia querer apenas rodar. Passamos por diversas ruas até cruzarmos os limites da cidade e nos aproximarmos de uma floresta, onde ela perguntou-me se eu não queria dar uma volta. Estacionei e caminhamos à luz da Lua até uma clareira, onde começamos a trocar beijos, carícias e coisas mais. Minhas mãos percorriam o corpo daquela linda desconhecida como se quisessem decorá-lo; os beijos eram trocados como se fossem sempre os últimos. Após um tempo, ouço-a sussurrar em meu ouvido:
- Quero te amar aqui.
Arrancamos nossas roupas e, com sofreguidão, eu a sentia dentro de mim; suas mãos me acariciavam e eu, de olhos fechados, só sabia aproveitar. Até que senti meu pescoço apertado e respirar tornava-se cada vez mais difícil. Abri os olhos e lhe vejo, como que transfigurada; me dar um sorriso, olhar pro céu e recitar as seguintes palavras:
- Em nome de minha tradição entrego aos deuses minha fertilidade!Que o fruto que nesse momento é concebido em meu ventre possa continuar a ser fiel às tradições assim como minha família sempre foi! E em sinal de minha promessa ofereço uma vida.
E foram as últimas palavras que ouvi, antes de perder a consciência...
Noite alta, quase meia noite; hora perfeita para ir à caça. Me encanto com todos os preparativos necessários para se conquistar alguém. Saio de um banho de meia hora e começo minha produção; cremes, perfumes, loções; tudo é cuidadosamente aplicado em sua devida medida e proporção. Cada roupa é escolhida cuidadosamente para que nenhum detalhe esteja com status inferior à perfeição. Em todos esses preparativos consumo tempo suficiente para mudar de idéia e ficar em casa, assisitindo algo mais útil. Mas o desejo vence e, terminando tudo finalmente, vou à caça.
O lugar é o de sempre: Hell´s. Aqui sou um habitué e tenho minha mesa sempre reservada. Como a boate é badaladíssima a variedade de pessoas é impressionante; além de ser um excelente lugar para caçar. Vou à minha mesa, peço meu uísque de sempre e fico à espreita.
Muitos me conhecem e vêm me cumprimentar; outras, casos do passado, nem sequer me olham; e os garçons chamam-me pelo nome.
O tempo passa tão devagar que começo a querer partir tão logo termine meu terceiro copo. Então, como que atendendo ao meu chamado, ela aparece. Loira, alta, olhos claros, cabelos esvoaçantes e um vestido vermelho, longo, acariciando sua forma longilínea. Imediatamente chamo um garçom:
- Quem é essa?
- Ela é nova aqui doutor. Primeira vez.
- Veja o que ela bebe, põe um na minha conta e diga que quero conhecê-la.
- Sim senhor.
Em menos de quinze minutos já estamos a travar um animado diálogo. Conversamos sobre arte, música, filmes, bebidas e outras trivialidades. Então, com ar de enfado, ela diz:
- Esse lugar está chato. Que tal a gente ir a um lugar mais fresco?
- Só se for agora!
Fomos então em meu carro, vagando; pois ela dizia querer apenas rodar. Passamos por diversas ruas até cruzarmos os limites da cidade e nos aproximarmos de uma floresta, onde ela perguntou-me se eu não queria dar uma volta. Estacionei e caminhamos à luz da Lua até uma clareira, onde começamos a trocar beijos, carícias e coisas mais. Minhas mãos percorriam o corpo daquela linda desconhecida como se quisessem decorá-lo; os beijos eram trocados como se fossem sempre os últimos. Após um tempo, ouço-a sussurrar em meu ouvido:
- Quero te amar aqui.
Arrancamos nossas roupas e, com sofreguidão, eu a sentia dentro de mim; suas mãos me acariciavam e eu, de olhos fechados, só sabia aproveitar. Até que senti meu pescoço apertado e respirar tornava-se cada vez mais difícil. Abri os olhos e lhe vejo, como que transfigurada; me dar um sorriso, olhar pro céu e recitar as seguintes palavras:
- Em nome de minha tradição entrego aos deuses minha fertilidade!Que o fruto que nesse momento é concebido em meu ventre possa continuar a ser fiel às tradições assim como minha família sempre foi! E em sinal de minha promessa ofereço uma vida.
E foram as últimas palavras que ouvi, antes de perder a consciência...
quarta-feira, outubro 01, 2003
Save from the nothing I become
Sons, sensações, sentimentos, palavras. Não há como expressar a beleza de um acorde bem produzido, de um belo arpejo, de um compasso bem trabalhado. A música é algo de tão divino que é quase impossível descrever o turbilhão de coisas que se passam quando o som invade meus ouvidos e vidra meus tímpanos. Foi por isso que decidi estudar.
Rapidamente tornei-me um exímio violonista. Executava peças complicadíssimas de memória e conseguia repetir de ouvido quase qualquer obra, após ouvi-la duas ou três vezes. Minha vida se tornou música; era um sonho realizado. Nada atrapalhava minha felicidade e a única peça faltante apareceu exatamente da maneira que eu sonhara.
Eu realizava um recital, lotado. Então ela apareceu e ofereceu-me uma flor; jantamos, passamos a namorar e rapidamente nos casamos.
Nossa vida beirava a perfeição; eu tocava e ela me ouvia, sempre. Penélope costumava se declarar viciada em minhas composições; duas horas por dia, religiosamente, tocava um repertório somente para os ouvidos de meu amor. Deus, como era bom. Mas então sobreveio a desgraça! Amaldiçoo até hoje aquele dia.
Ia eu até uma cidade próxima me apresentar e meu Anjo ficara em casa. Mas, para me fazer um surpresa, ela resolveu dirigir até onde eu estava; não conseguindo manobrar dirieto sob a chuva fina Penélope chocou-se contra o guard rail e faleceu imediatamente! Seu corpo me foi entregue em um recipiente pouco maior que uma caixa de sapatos; nada pode descrever o horror que senti.
Decidi abandonar tudo; menos meu violão. Me atirei de cabeça na carreira e me pus a compor alucinadamente. Meu ritmo de trabalho era alucinante e minhas composições, antes tão alegres e vivas, agora eram tristes e escuras. Fui alvo de diversas críticas mas ainda tinha foraças para viver porque tocava.
O tempo passa, mas a dor não some. Em segredo eu mantinha um estranho e bizarro ritual: Todo sábado à noite eu pulava o muro do cemitério onde meu amor estava e tocava, por exatas duas horas, as músicas que ela mais amava em vida. Isso me afundava mas na dor, mas era inevitável.
E assim levei a minha vida até esse momento, o dia do meu 50º aniversário. Cá estou a frente de seu túmulo, executando tuas canções preferidas e pensando em seu nome, pedindo aos deuses para que possa ver-te uma última vez, pois sinto que a vida se esvai de meu corpo.
Com o que resta de minhas forças executo o último acorde. Viro-me para checar um barulho e me assusto com o que vejo ao me voltar:
- Shon, meu amor. Por todos esses anos eu te ouvi; por todo esse tempo roguei aos deuses que me deixassem olhar teu rosto. Agora fui atendida. Beija-me meu amor, beija-me para que eu me vá em paz.
Tomado de um misto de pânico e ansiedade dirigi-me a ela. Fechei meus olhos e toquei seus doces lábios com os meus; o sabor era exatamente o mesmo de antes e eu também sentia-me jovem como há muito. Naquele infinito espaço em que eu era feliz, decidi abrir meus olhos e olhar-te uma última vez. Deus, não devia ter feito aquilo! Tua carne, despregada da face, deixava vermes à mostra; tuas mãos, outrora delicadas, eram nada menos do que ossos a tocar meu rosto; não havia mais nas órbitas os teus lindo olhos. Em desepero tentei livrar-me. Em vão. Não havia em mim forças para me livrar de teu macabro abraço. Sentia pedaços de meu rosto serem devorados pelos vermes que não mais te queriam. Tomado pela dor, expirei.
Agora, por piedade dos deuses, tenho direito a duas horas por semana para tocar, onde atraio desavisados para aplacar os vermes que devoram a minha pouca carne.
Sons, sensações, sentimentos, palavras. Não há como expressar a beleza de um acorde bem produzido, de um belo arpejo, de um compasso bem trabalhado. A música é algo de tão divino que é quase impossível descrever o turbilhão de coisas que se passam quando o som invade meus ouvidos e vidra meus tímpanos. Foi por isso que decidi estudar.
Rapidamente tornei-me um exímio violonista. Executava peças complicadíssimas de memória e conseguia repetir de ouvido quase qualquer obra, após ouvi-la duas ou três vezes. Minha vida se tornou música; era um sonho realizado. Nada atrapalhava minha felicidade e a única peça faltante apareceu exatamente da maneira que eu sonhara.
Eu realizava um recital, lotado. Então ela apareceu e ofereceu-me uma flor; jantamos, passamos a namorar e rapidamente nos casamos.
Nossa vida beirava a perfeição; eu tocava e ela me ouvia, sempre. Penélope costumava se declarar viciada em minhas composições; duas horas por dia, religiosamente, tocava um repertório somente para os ouvidos de meu amor. Deus, como era bom. Mas então sobreveio a desgraça! Amaldiçoo até hoje aquele dia.
Ia eu até uma cidade próxima me apresentar e meu Anjo ficara em casa. Mas, para me fazer um surpresa, ela resolveu dirigir até onde eu estava; não conseguindo manobrar dirieto sob a chuva fina Penélope chocou-se contra o guard rail e faleceu imediatamente! Seu corpo me foi entregue em um recipiente pouco maior que uma caixa de sapatos; nada pode descrever o horror que senti.
Decidi abandonar tudo; menos meu violão. Me atirei de cabeça na carreira e me pus a compor alucinadamente. Meu ritmo de trabalho era alucinante e minhas composições, antes tão alegres e vivas, agora eram tristes e escuras. Fui alvo de diversas críticas mas ainda tinha foraças para viver porque tocava.
O tempo passa, mas a dor não some. Em segredo eu mantinha um estranho e bizarro ritual: Todo sábado à noite eu pulava o muro do cemitério onde meu amor estava e tocava, por exatas duas horas, as músicas que ela mais amava em vida. Isso me afundava mas na dor, mas era inevitável.
E assim levei a minha vida até esse momento, o dia do meu 50º aniversário. Cá estou a frente de seu túmulo, executando tuas canções preferidas e pensando em seu nome, pedindo aos deuses para que possa ver-te uma última vez, pois sinto que a vida se esvai de meu corpo.
Com o que resta de minhas forças executo o último acorde. Viro-me para checar um barulho e me assusto com o que vejo ao me voltar:
- Shon, meu amor. Por todos esses anos eu te ouvi; por todo esse tempo roguei aos deuses que me deixassem olhar teu rosto. Agora fui atendida. Beija-me meu amor, beija-me para que eu me vá em paz.
Tomado de um misto de pânico e ansiedade dirigi-me a ela. Fechei meus olhos e toquei seus doces lábios com os meus; o sabor era exatamente o mesmo de antes e eu também sentia-me jovem como há muito. Naquele infinito espaço em que eu era feliz, decidi abrir meus olhos e olhar-te uma última vez. Deus, não devia ter feito aquilo! Tua carne, despregada da face, deixava vermes à mostra; tuas mãos, outrora delicadas, eram nada menos do que ossos a tocar meu rosto; não havia mais nas órbitas os teus lindo olhos. Em desepero tentei livrar-me. Em vão. Não havia em mim forças para me livrar de teu macabro abraço. Sentia pedaços de meu rosto serem devorados pelos vermes que não mais te queriam. Tomado pela dor, expirei.
Agora, por piedade dos deuses, tenho direito a duas horas por semana para tocar, onde atraio desavisados para aplacar os vermes que devoram a minha pouca carne.
terça-feira, setembro 30, 2003
Wish you were here...
E uma vez mais venho até aqui para me lembrar de ti. Paro em frente à nossa árvore, sinto com a ponta dos dedos o coração com nossas iniciais que o tempo insiste em manter vivo e perfeitamente visível. Passo novamente o filme de nossa relação; nosso primeiro encontro, os beijos, as palavras e todos os atos cometidos até o dia fatídico.
Uma vez mais eu choro; como a criança que foi privada de seus pais. Novamente eu grito aos céus perguntando como e por que foste tão bruscamente retirada de mim. Sinceramente não consigo entender o que aconteceu e como a tua ausência pode fazer tanta falta. Permaneço na floresta até a noite, ouvindo as corujas e todos os outro sseres noturnos que parecem zombar de minha dor. Novemente não resisto às lágrimas e penso em lhe procurar. Penso, repenso, planejo juro não fazer mas acabo indo ao teu encontro.
É tarde da noite quando chego defronte à tua porta. Minhas pernas parecem estar sob ação de magnetos que se não impedem, tornam o ato de andar extremamente doloroso. Toco a campainha uma, duas, dez vezes e nada. Mas sei que está em casa. Entro, revejo os móveis antes tão familiares e ouço tua voz. Uma risada; natural, tranquila e sincera; como as que você costumava me distrbiur. Subo as escadas e encontro-te abraçada. Com outra mulher. Ambas nuas, rindo à toa, se tocando. Então você se dá conta de que estou ali e seu sorriso demancha-se. Quase não tem forças para me encarar e é tua parceira quem abra a boca:
- O que você quer aqui? Não sabe que Ash não qer mais saber de você? A vaga agora é minha!
Desconsolado e em prantos ainda consigo dizer:
- Por quê? Por quê Ash? Responda!
De seus olhos azuis vertiam lágrimas e o silêncio foi sua resposta.
Tomado por um sentimento que só os que perscutaram o inferno conhecem, soltei um grito. Disforme, gutural, insano. Gritei por intermináveis segundos e, tomando de minha Walter PPK, disparei. Cinco tiros em cada uma. Lavei minhas mãos, imundas daquele ato, no sangue de cada uma e saí, tranquilamente, para a floresta onde agora estou.
Enquanto serro esta bela árvore medito sobre o que acabei de fazer e sei que minh aredenção só virá pelas minha próprias mãos. Uma vez mais acaricio minha arma e, com um único tiro, ponho fim a todo o sofrimento.
E uma vez mais venho até aqui para me lembrar de ti. Paro em frente à nossa árvore, sinto com a ponta dos dedos o coração com nossas iniciais que o tempo insiste em manter vivo e perfeitamente visível. Passo novamente o filme de nossa relação; nosso primeiro encontro, os beijos, as palavras e todos os atos cometidos até o dia fatídico.
Uma vez mais eu choro; como a criança que foi privada de seus pais. Novamente eu grito aos céus perguntando como e por que foste tão bruscamente retirada de mim. Sinceramente não consigo entender o que aconteceu e como a tua ausência pode fazer tanta falta. Permaneço na floresta até a noite, ouvindo as corujas e todos os outro sseres noturnos que parecem zombar de minha dor. Novemente não resisto às lágrimas e penso em lhe procurar. Penso, repenso, planejo juro não fazer mas acabo indo ao teu encontro.
É tarde da noite quando chego defronte à tua porta. Minhas pernas parecem estar sob ação de magnetos que se não impedem, tornam o ato de andar extremamente doloroso. Toco a campainha uma, duas, dez vezes e nada. Mas sei que está em casa. Entro, revejo os móveis antes tão familiares e ouço tua voz. Uma risada; natural, tranquila e sincera; como as que você costumava me distrbiur. Subo as escadas e encontro-te abraçada. Com outra mulher. Ambas nuas, rindo à toa, se tocando. Então você se dá conta de que estou ali e seu sorriso demancha-se. Quase não tem forças para me encarar e é tua parceira quem abra a boca:
- O que você quer aqui? Não sabe que Ash não qer mais saber de você? A vaga agora é minha!
Desconsolado e em prantos ainda consigo dizer:
- Por quê? Por quê Ash? Responda!
De seus olhos azuis vertiam lágrimas e o silêncio foi sua resposta.
Tomado por um sentimento que só os que perscutaram o inferno conhecem, soltei um grito. Disforme, gutural, insano. Gritei por intermináveis segundos e, tomando de minha Walter PPK, disparei. Cinco tiros em cada uma. Lavei minhas mãos, imundas daquele ato, no sangue de cada uma e saí, tranquilamente, para a floresta onde agora estou.
Enquanto serro esta bela árvore medito sobre o que acabei de fazer e sei que minh aredenção só virá pelas minha próprias mãos. Uma vez mais acaricio minha arma e, com um único tiro, ponho fim a todo o sofrimento.
segunda-feira, setembro 29, 2003
Sorry, I´m late...
A noite, minha amiga, conselheira, ouvinte. Nada pode comparar-se à beleza da lua cheia em seu ápice. E as estrelas, lamparinas de viajantes perdidos, a iluminar o caminho dos que, como eu, seguem a trilha de sons, odores e sensações que a noite propicia.
Trabalho como barman há muito tempo e esse lugar tem sido meu segundo lar e também um campo de estudos sobre o comprtamento humano. Todos os tipos estranhos de que se ouve falar transitam por aqui. Costumo guardar seus rostos e estabelecer algumas conversas com os que me parecem mais interessantes. Muitos buscam na noite apenas refúgio para os problemas do dia ou mesmo uma válvula de escape contra as pressões sofridas em uma existência vazia. Outros querem apenas anular-se e se esconder de seus próprios demônios pessoais, haja visto que a escuridão também serve de abrigo. Estes porém são sempre engolidos por seres mais nefastos e de aparência tão agradável que só se percebe o fim quando ele está próximo demais.
Tudo seguia normalmente até ela aparecer. Pele branca, alva como a neve, cabelos negros como a noite que ela parecia encerrar no coração, mãos pequenas e olhos também negros. Chegou em meu balcão e pediu:
- Vodka! Pura.
A servi e imediatamente anotei na coronha de minha mente suas cracterísticas, para que pudesse aproxiamar-me mais tarde.
Durante toda a noite ela bebeu vodka e trocou olhares com o Japonês, um cliente habitual, cuja única característica marcante era sua total ausência de amor próprio. Trocaram olhares, nos quais ela visivelmente liquidava a já fraca personalidade de meu cliente. Como previsto ela o arrastou para fora antes mesmo do bar fechar. Imagino como ela deve ter destruído aquele pobre homem na cama!
Noite seguinte; lá está ela de novo. O mesmo vestido negro, o mesmo pedido e o mesmo processo. Estranhamente, nada do Japonês, acho que a noite foi muito boa. Novamente ela caça, domina e leva mais um ao seu bel prazer, desta vez o Beberrão. Não entendo o que ela viu naquela besta, sempre de barba por fazer e cabelo seboso, mas não é esse meu trabalho.
Noite de domingo, casa cheia, muito trabalho; mas é impossível não perceber a chegada dela. Toda de negro, soberana. Não há olhar masculino que não se volte para ela. E uma vez mais ela faz seu ritual, levando dessa vez um desconhecido.
Chega a segunda, pseudo-folga. Dois ou três fregueses, sempre que eu não conheço os habituès começam a chegar na terça. Entre um drinque e outro divago sobre a morena; seu nome, suas preferências estranhas, seus motivos. E então, como que me ouvindo, ela chega. Faz seu pedido e ao invés de ir a uma mesa recosta-se no balcão e fala:
- Noite fraca. Não há perspectiva de mais gente não?
- Infelizmente na segunda feira é isso aí mesmo.
Então ela silenciou, foi para uma mesa distante e pos-se a me olhar. E o interessante foi que não conseguia mais fazer nada direito, tão preso estava. Derrubava garrafas, confundia pedidos, errava nomes, um absurdo. Irritado, pedi 15 minutos de descanso eu fui até ela:
- O que você quer de mim afinal?
- Você nem imagina?
- ZÉ! Aguenta o tranco aí que antes das seis eu tô de volta!
- Sem problema, hoje é segunda mesmo!
Entramos em meu carro e tracei rota para o motel mais próximo. Ela me disse que conhecia um lugar melhor e me guiou a um barranco, com uma bela visão da lua. Beijei-a longamente e enquanto a beijava sentia um estranho torpor tomar conta de mim. Ela então beijou meu pescoço e o agradável arrepio inicial tornou-se dor e despertou-me a realidade. Tarde demais. Sangrando, fraco demais e ainda sem entender muita coisa tentei sair do carro, já fechado, mas era impossível. fraco e envenenado apenas ouvi um riso e a explosão do carro ao bater de encontro às pedras...
A noite, minha amiga, conselheira, ouvinte. Nada pode comparar-se à beleza da lua cheia em seu ápice. E as estrelas, lamparinas de viajantes perdidos, a iluminar o caminho dos que, como eu, seguem a trilha de sons, odores e sensações que a noite propicia.
Trabalho como barman há muito tempo e esse lugar tem sido meu segundo lar e também um campo de estudos sobre o comprtamento humano. Todos os tipos estranhos de que se ouve falar transitam por aqui. Costumo guardar seus rostos e estabelecer algumas conversas com os que me parecem mais interessantes. Muitos buscam na noite apenas refúgio para os problemas do dia ou mesmo uma válvula de escape contra as pressões sofridas em uma existência vazia. Outros querem apenas anular-se e se esconder de seus próprios demônios pessoais, haja visto que a escuridão também serve de abrigo. Estes porém são sempre engolidos por seres mais nefastos e de aparência tão agradável que só se percebe o fim quando ele está próximo demais.
Tudo seguia normalmente até ela aparecer. Pele branca, alva como a neve, cabelos negros como a noite que ela parecia encerrar no coração, mãos pequenas e olhos também negros. Chegou em meu balcão e pediu:
- Vodka! Pura.
A servi e imediatamente anotei na coronha de minha mente suas cracterísticas, para que pudesse aproxiamar-me mais tarde.
Durante toda a noite ela bebeu vodka e trocou olhares com o Japonês, um cliente habitual, cuja única característica marcante era sua total ausência de amor próprio. Trocaram olhares, nos quais ela visivelmente liquidava a já fraca personalidade de meu cliente. Como previsto ela o arrastou para fora antes mesmo do bar fechar. Imagino como ela deve ter destruído aquele pobre homem na cama!
Noite seguinte; lá está ela de novo. O mesmo vestido negro, o mesmo pedido e o mesmo processo. Estranhamente, nada do Japonês, acho que a noite foi muito boa. Novamente ela caça, domina e leva mais um ao seu bel prazer, desta vez o Beberrão. Não entendo o que ela viu naquela besta, sempre de barba por fazer e cabelo seboso, mas não é esse meu trabalho.
Noite de domingo, casa cheia, muito trabalho; mas é impossível não perceber a chegada dela. Toda de negro, soberana. Não há olhar masculino que não se volte para ela. E uma vez mais ela faz seu ritual, levando dessa vez um desconhecido.
Chega a segunda, pseudo-folga. Dois ou três fregueses, sempre que eu não conheço os habituès começam a chegar na terça. Entre um drinque e outro divago sobre a morena; seu nome, suas preferências estranhas, seus motivos. E então, como que me ouvindo, ela chega. Faz seu pedido e ao invés de ir a uma mesa recosta-se no balcão e fala:
- Noite fraca. Não há perspectiva de mais gente não?
- Infelizmente na segunda feira é isso aí mesmo.
Então ela silenciou, foi para uma mesa distante e pos-se a me olhar. E o interessante foi que não conseguia mais fazer nada direito, tão preso estava. Derrubava garrafas, confundia pedidos, errava nomes, um absurdo. Irritado, pedi 15 minutos de descanso eu fui até ela:
- O que você quer de mim afinal?
- Você nem imagina?
- ZÉ! Aguenta o tranco aí que antes das seis eu tô de volta!
- Sem problema, hoje é segunda mesmo!
Entramos em meu carro e tracei rota para o motel mais próximo. Ela me disse que conhecia um lugar melhor e me guiou a um barranco, com uma bela visão da lua. Beijei-a longamente e enquanto a beijava sentia um estranho torpor tomar conta de mim. Ela então beijou meu pescoço e o agradável arrepio inicial tornou-se dor e despertou-me a realidade. Tarde demais. Sangrando, fraco demais e ainda sem entender muita coisa tentei sair do carro, já fechado, mas era impossível. fraco e envenenado apenas ouvi um riso e a explosão do carro ao bater de encontro às pedras...
sexta-feira, setembro 05, 2003
Halleluiah
Ia eu seguindo a minha vida calmamente quando tive o desprazer de te conhecer. Deus, você conseguia ser irritantemente teimosa; uma verdadeira porta. Não havia absolutamente nada que fizesse com que nos entendessemos sobre qualquer assunto, por mais banal que o mesmo pudesse ser. Ainda assim resolvemos namorar. Loucura, numa definição mais atual e madura, era a definição de nossa relação. Não havia consenso jamais, as briga eram intemináveis e ninguém, absolutamente ninguém, conseguia entender como diabos podíamos estar juntos há tanto tempo. Mas hava o nosso segredo.
A cama; o único lugar onde a paz imperava. Paz, na verade, era um mero eufemismo; nos amávamos como loucos. Cada transa era intensa e quente como se fosse a última; nenhum de nós dois conhecia limites e muito menos vergonha. Posso ainda sentir, às vezes, os orgasmos intensos que compartilhávamos. Sim, essa era a hora da trégua e quando traçávamos nossos planos.
Ninguém sabia, até agora, de nossa atividade secreta. Saímos na madrugada, trajando negro, a assasinar mendigos e indigentes que não fariam falta nenhuma à sociedade. Os esfaqueávamos muitas vezes e lavávamos o corpo à praia, para que os caranguejos se encarregassem da "limpeza". Ao nascer do sol costumávamos nos amar.
Nossa vida consistia em um casal histérico de dia e em amantes e bebedores de sangue a noite. Éramos felizes, até sermos pegos. A maldita filha de um mendingo escapou e nos denunciou. Você, impetuosa como sempre, não quis se entragar e acabou sendo morta a tiros.
Eu hoje fico aqui, entre as grades a me lembrar e a paquerar a namorada do meu colega de cela, que vem vê-lo semanalmate.
Ia eu seguindo a minha vida calmamente quando tive o desprazer de te conhecer. Deus, você conseguia ser irritantemente teimosa; uma verdadeira porta. Não havia absolutamente nada que fizesse com que nos entendessemos sobre qualquer assunto, por mais banal que o mesmo pudesse ser. Ainda assim resolvemos namorar. Loucura, numa definição mais atual e madura, era a definição de nossa relação. Não havia consenso jamais, as briga eram intemináveis e ninguém, absolutamente ninguém, conseguia entender como diabos podíamos estar juntos há tanto tempo. Mas hava o nosso segredo.
A cama; o único lugar onde a paz imperava. Paz, na verade, era um mero eufemismo; nos amávamos como loucos. Cada transa era intensa e quente como se fosse a última; nenhum de nós dois conhecia limites e muito menos vergonha. Posso ainda sentir, às vezes, os orgasmos intensos que compartilhávamos. Sim, essa era a hora da trégua e quando traçávamos nossos planos.
Ninguém sabia, até agora, de nossa atividade secreta. Saímos na madrugada, trajando negro, a assasinar mendigos e indigentes que não fariam falta nenhuma à sociedade. Os esfaqueávamos muitas vezes e lavávamos o corpo à praia, para que os caranguejos se encarregassem da "limpeza". Ao nascer do sol costumávamos nos amar.
Nossa vida consistia em um casal histérico de dia e em amantes e bebedores de sangue a noite. Éramos felizes, até sermos pegos. A maldita filha de um mendingo escapou e nos denunciou. Você, impetuosa como sempre, não quis se entragar e acabou sendo morta a tiros.
Eu hoje fico aqui, entre as grades a me lembrar e a paquerar a namorada do meu colega de cela, que vem vê-lo semanalmate.
quinta-feira, agosto 21, 2003
It´s only words
Sempre me achei bom com as palavras. Sempre tive facilidade para dominá-las e transformá-las em contos, cartas, poemas, canções. Mas hoje, após lembrar-me em detalhes de todo o ocorrido ontem, sinto como se meu teclado fosse composto de animais selvagens, cada qual mais perigoso que o outro, e todos dispostos a devorar-me as pontas dos dedos.
Não consigo mais compor absolutamente nada. Não consigo sequer rimar amor com dor. Tudo porque você fez o que fez.
Sempre foste minha musa inspiradora; aquela que me incentivava a escrever e sempre criar, criar e criar. Nunca exigi nada de ti, apenas a tua presença. Era livre pare ter quem quiseres e fazer tua vida como bem entendesse. Eu exigia apenas tua presença ao meu lado, a noite, quando eu resolvia criar.
Mas você se apaixonou. E não mais vinha a mim. Deixava-me só, abandonado e o pior, sem idéias!
Comecei a lhe seguir, apenas para ver porque me abandonaste. Bisbilhotava tuas noites de paixão insaciável, teus encontros furtivos, tua felicidade exaltante. E tomado pela inveja, agi sem pensar. Facadas, incontáveis, para por fim à sua vida.
Hoje, apesar das lágrimas, ainda levo minha boa vida. E achei um novo brinquado que me entende e sempre está do meu lado. Um brinquedo feito em prata e afiado como meus escritos.
Sempre me achei bom com as palavras. Sempre tive facilidade para dominá-las e transformá-las em contos, cartas, poemas, canções. Mas hoje, após lembrar-me em detalhes de todo o ocorrido ontem, sinto como se meu teclado fosse composto de animais selvagens, cada qual mais perigoso que o outro, e todos dispostos a devorar-me as pontas dos dedos.
Não consigo mais compor absolutamente nada. Não consigo sequer rimar amor com dor. Tudo porque você fez o que fez.
Sempre foste minha musa inspiradora; aquela que me incentivava a escrever e sempre criar, criar e criar. Nunca exigi nada de ti, apenas a tua presença. Era livre pare ter quem quiseres e fazer tua vida como bem entendesse. Eu exigia apenas tua presença ao meu lado, a noite, quando eu resolvia criar.
Mas você se apaixonou. E não mais vinha a mim. Deixava-me só, abandonado e o pior, sem idéias!
Comecei a lhe seguir, apenas para ver porque me abandonaste. Bisbilhotava tuas noites de paixão insaciável, teus encontros furtivos, tua felicidade exaltante. E tomado pela inveja, agi sem pensar. Facadas, incontáveis, para por fim à sua vida.
Hoje, apesar das lágrimas, ainda levo minha boa vida. E achei um novo brinquado que me entende e sempre está do meu lado. Um brinquedo feito em prata e afiado como meus escritos.
quarta-feira, agosto 20, 2003
Under pressure
E ali estava eu, parado, olhando para o quadro. Minha última lembrança de você; o último halo de luz sobre a minha atormentada alma. O quadro que transmitia toda a paz que sua presença emanava ao meu lado. O quadro que me fazia lembrar dos momentos vividos e das alegrias divididas; assim como as lágrimas derramadas em conjunto e tantas outras coisas que vivi desde o dia em que chegaste à minha vida.
Você apareceu, sem avisar. Como uma garoa fina que de repente se transforma em um verdadeiro dilúvio, que foi capaz de arrebatar meu coração, minha mente e tantas outras coisas.
Foi inevitável que nos tornássemos um tão cedo. Tudo passou a ser dividido, não havia você sem mim e nem eu sem você. Nada fazia sentido quando você não estava por perto.
Sob sua influência, comecei a pintar. Obras no começo péssimas, mas que ante seus elogios e incentivos foram melhorando significativamente, até se tornarem nosso hobby. Meu e seu sim; pois nas raras vezes em que se valia de um pincel, tu eras capaz de me brindar com obras magníficas. Como a que admiro aqui, agora, a chorar.
Deus, foram tantas coisas vividas, momentos maravilhosos, incontáveis presentes e coisas que realmente jamais esquecerei. Até aquele maldito dia. O dia em que ela chegou...
Uma simples cortesã, uma empregada. Com o péssimo hábito de sumir com pequenas coisas, não como uma cleptomaníaca, mas sim por um egoísmo vil e sem sentido.
De começo não liguei. Achava que minha amada estava com ciúmes. Até o dia qm que meu relógio de ouro sumiu. Aí sim, eu acordei para a a verdade!
Procurei, procurei e nada. Interroguei a empregada e obtive uma confissão tão bem interpretada que quae tive pena. Não, não deixaria aquilo continuar e a expulsei. Ledo engano.
Exatos sete dias depois, minha casa é invadida, minha amada é morta, e sou espancadao até quase a morte. Então, em meu último suspiro, eu a vejo:
- Sua pena será maior, e pior que a morte. Apenas feche seus olhos.
A dor, o mundo a girar, apago. Longas horas depois, abandonado em casa, observo o corpo de minha amada ao meu lado. Ela jaz em paz, com um sorriso. Sou tomado por uma sede inexplicável, que me consome sem piedade. Não há água suficiente no mundo para aplacá-la. Só muito tempo depois aprendi tudo o que precisava saber sobre a sede, a dor e as fraquezas.
E hoje, no seu aniversário meu amor, ao lado do último presente que me desde, decido por fim a tudo. Apenas aguardo o sol surgir e inundar a sala, levando-me para junto ti. Pois pior que a maldita sede é apenas a dor causada pela saudade.
E ali estava eu, parado, olhando para o quadro. Minha última lembrança de você; o último halo de luz sobre a minha atormentada alma. O quadro que transmitia toda a paz que sua presença emanava ao meu lado. O quadro que me fazia lembrar dos momentos vividos e das alegrias divididas; assim como as lágrimas derramadas em conjunto e tantas outras coisas que vivi desde o dia em que chegaste à minha vida.
Você apareceu, sem avisar. Como uma garoa fina que de repente se transforma em um verdadeiro dilúvio, que foi capaz de arrebatar meu coração, minha mente e tantas outras coisas.
Foi inevitável que nos tornássemos um tão cedo. Tudo passou a ser dividido, não havia você sem mim e nem eu sem você. Nada fazia sentido quando você não estava por perto.
Sob sua influência, comecei a pintar. Obras no começo péssimas, mas que ante seus elogios e incentivos foram melhorando significativamente, até se tornarem nosso hobby. Meu e seu sim; pois nas raras vezes em que se valia de um pincel, tu eras capaz de me brindar com obras magníficas. Como a que admiro aqui, agora, a chorar.
Deus, foram tantas coisas vividas, momentos maravilhosos, incontáveis presentes e coisas que realmente jamais esquecerei. Até aquele maldito dia. O dia em que ela chegou...
Uma simples cortesã, uma empregada. Com o péssimo hábito de sumir com pequenas coisas, não como uma cleptomaníaca, mas sim por um egoísmo vil e sem sentido.
De começo não liguei. Achava que minha amada estava com ciúmes. Até o dia qm que meu relógio de ouro sumiu. Aí sim, eu acordei para a a verdade!
Procurei, procurei e nada. Interroguei a empregada e obtive uma confissão tão bem interpretada que quae tive pena. Não, não deixaria aquilo continuar e a expulsei. Ledo engano.
Exatos sete dias depois, minha casa é invadida, minha amada é morta, e sou espancadao até quase a morte. Então, em meu último suspiro, eu a vejo:
- Sua pena será maior, e pior que a morte. Apenas feche seus olhos.
A dor, o mundo a girar, apago. Longas horas depois, abandonado em casa, observo o corpo de minha amada ao meu lado. Ela jaz em paz, com um sorriso. Sou tomado por uma sede inexplicável, que me consome sem piedade. Não há água suficiente no mundo para aplacá-la. Só muito tempo depois aprendi tudo o que precisava saber sobre a sede, a dor e as fraquezas.
E hoje, no seu aniversário meu amor, ao lado do último presente que me desde, decido por fim a tudo. Apenas aguardo o sol surgir e inundar a sala, levando-me para junto ti. Pois pior que a maldita sede é apenas a dor causada pela saudade.
quinta-feira, agosto 14, 2003
Liberi fatali
Divagava embaixo de uma árvore, apreciando a fina chuva que caía. Lembrava-se da infância e de bons momentos vividos no passado. Comia as maçãs que trouxera enquanto esperava a chegada de seu amor. Saboreava a fruta, comparando-a com o gosto dos lábios de sua querida. Nada poderia afastar seus pensamentos de sua amada, enquanto ela não chegasse.
Ela despontou por sobre a colina e enxergou-o sentado, a esperar. Lembrava-se de quando o conheceu, do amor à primeira vista e das lindas noites passadas juntos. E torturava-se por que sabia que aquele seria seu último encontro. Precisava alimentar-se.
O maldito castigo depositado sobre Aya fazia com que não pudesse se apaixonar, pois lhe era necessário o sangue para que se mantivesse viva. Por quantas vezes Aya amaldiçoou aquele que a pusera naquele estado; e quantas vezes abençoara o dia em que o viu pregado nas estacas de seu pobre castelo. Desde então ela tem suportado a fome ao limite, sofrendo por cada um que perde a vida para saciá-la. E hoje, infelizmente, é o dia de Jonas.
Jonas apenas observa a chegada de seu amor. Seus olhos brilham enquanto ela se aproxima e ele se levanta e corre, na fina garoa, em direção ao seu amor. O beijo trocado por ambos é ardente, cálido, tão íntimo que é impossível a ambos resistir ao desejo. Os dois se amam ali, na chuva, em uma floresta deserta. E esse amor sela a piedade de Aya, que decide suportar a fome e viver seu amor intensamente, mas sem impôr a Jonas o seu pesadíssimo fardo:
- Jonas, meu amor, eu tenho um segredo para te contar.
- O engraçado é que eu também. Mas fale-me o seu primeiro.
E Aya contou a Jonas toda a sua história, sua verdadeira idade, suas antigas vítimas e todos os motivos que a levaram a não querer que Jonas partilhasse de seu destino:
- Agora me fale o seu segredo, se é que você ainda me ama.
- Meu segredo era um presente, espere aí.
Caminhou até detrás da macieira, aos prantos, pegou lá o revólver que guardara e atirou, seis vezes, em uma atônita Aya, que nem seguer reagiu ao ver Jonas cortar sua cabeça com uma espada. Suas últimas palavras foram:
- Pelo menos é tu quem vais me dar paz.
Aos prantos Jonas aponta a arma para a cabeça e, antes do sétimo e último tiro diz:
- Descanse em paz meu pai, agora vou acompanhá-lo e quem sabe, seexistir um Deus, ainda farei companhia ao meu amor aonde quer que ela esteja.
Divagava embaixo de uma árvore, apreciando a fina chuva que caía. Lembrava-se da infância e de bons momentos vividos no passado. Comia as maçãs que trouxera enquanto esperava a chegada de seu amor. Saboreava a fruta, comparando-a com o gosto dos lábios de sua querida. Nada poderia afastar seus pensamentos de sua amada, enquanto ela não chegasse.
Ela despontou por sobre a colina e enxergou-o sentado, a esperar. Lembrava-se de quando o conheceu, do amor à primeira vista e das lindas noites passadas juntos. E torturava-se por que sabia que aquele seria seu último encontro. Precisava alimentar-se.
O maldito castigo depositado sobre Aya fazia com que não pudesse se apaixonar, pois lhe era necessário o sangue para que se mantivesse viva. Por quantas vezes Aya amaldiçoou aquele que a pusera naquele estado; e quantas vezes abençoara o dia em que o viu pregado nas estacas de seu pobre castelo. Desde então ela tem suportado a fome ao limite, sofrendo por cada um que perde a vida para saciá-la. E hoje, infelizmente, é o dia de Jonas.
Jonas apenas observa a chegada de seu amor. Seus olhos brilham enquanto ela se aproxima e ele se levanta e corre, na fina garoa, em direção ao seu amor. O beijo trocado por ambos é ardente, cálido, tão íntimo que é impossível a ambos resistir ao desejo. Os dois se amam ali, na chuva, em uma floresta deserta. E esse amor sela a piedade de Aya, que decide suportar a fome e viver seu amor intensamente, mas sem impôr a Jonas o seu pesadíssimo fardo:
- Jonas, meu amor, eu tenho um segredo para te contar.
- O engraçado é que eu também. Mas fale-me o seu primeiro.
E Aya contou a Jonas toda a sua história, sua verdadeira idade, suas antigas vítimas e todos os motivos que a levaram a não querer que Jonas partilhasse de seu destino:
- Agora me fale o seu segredo, se é que você ainda me ama.
- Meu segredo era um presente, espere aí.
Caminhou até detrás da macieira, aos prantos, pegou lá o revólver que guardara e atirou, seis vezes, em uma atônita Aya, que nem seguer reagiu ao ver Jonas cortar sua cabeça com uma espada. Suas últimas palavras foram:
- Pelo menos é tu quem vais me dar paz.
Aos prantos Jonas aponta a arma para a cabeça e, antes do sétimo e último tiro diz:
- Descanse em paz meu pai, agora vou acompanhá-lo e quem sabe, seexistir um Deus, ainda farei companhia ao meu amor aonde quer que ela esteja.
sexta-feira, agosto 08, 2003
Men at Work
Em sua mesa ele reflete sobre suas tarefas. Obrigações corriqueiras e um dia-a-dia fútil e sempre igual. A rotina domina sua vida com tal força que ele já nem sequer se lembra da sua última grande emoção. Tudo é tão igual e tão normal que ele aparenta estar todos os momentos movido pela alavanca de automático.
Amanhece; mais um dia, mais uma camisa branca, um par de meias negras, a cueca azul, uma gravata combinando com a calça e seu inseparável estojo de canetas. Nada diferente; o mesmo caminho, o mesmo sinal aberto... Um maluco cruzando a faixa, uma batida espetaular, que não estava nos planos.
Ele sobrevive, milagrosamente, assim como a mulher que atravassava a rua n momento do acidente. O proprietário do outro carro morre antes de ser retirado dos escombros. Ambos vão ao hospital e à delegacia, onde as conversas triviais sobre quem sofre o mesmo maç são inevitáveis:
- Pois é, escapamos de uma boa, hein?
- É... Meu cehefe deve estar maluco, mesmo depois de ter sido avisado.
- Não esquenta, empregos passam, a vida só pode ser vivida uma vez.
- Acho que você tem razão.
E assim trocaram nomes, telefones, combinaram de sair e começaram a levar um relacionamento agradável, onde ele a ensinava a ser séria e compenetrada, enquanto ela doava a ele consideráveis parcelas de irresponsabilidade e o ensinava a aproveitar melhor seus momentos.
Ele aprendera tão bem que trabalhava feliz, com um sorriso invejado e com uma produtividade assustadora. Todos perguntavam o segredo de seu sucesso e ele prontamente respondia:
- Equilíbrio.
A vida era boa, até o dia em que ele foi promovido a vice-presidente. Seus horários eram apertados, horas extras incontáveis e, por consequência, uma mulher infeliz. Infeliz a ponto de procurar felicidade em outro lugar. sua última declaração veio em um bilhete:
" A balança pendeu demais para você e o prato entornou. Fique com seu maldito dinheiro porque eu vou tratar de ser feliz. Até nunca mais!"
Após isso resolveu mergulhar no trabalho a fim de livrar-se do vazio. Mas não produzia como antes, era desatento e não cumpria mais prazos, por mais elásticos que esses fossem. O inevitável ocorreu:
- Max, você está demitido.
- Mas você não pode fazer isso! Eu sacrifiquei tudo por essa empresa. Eu dei meu sangue.
- Eu sei Max, mas você já não rende como antes, você parece estar desiquilibrado.
- EQUILÍBRIO??? EQUILÍBRIO??? Quem é você para me falar sobre isso, seu maldito!!!!
Um movimento rápido e Max abria o peito de seu chefe com um abridor de envelopes. Sete golpes e a consciência recuperada, mas em pandarecos pelo ato desumano que cometera, resolveu então tomar a mais drástica das atitudes.
Enquanto seu corpo voava do décimo terceiro andar até o chão Max lembrava-se dos períodos felizes ao lado de sua amada e das coisas boas que ala lhe trouxera. Agora era tarde demais e antes de atingir o chão Max apenas viu a imagem de uma balança; enferrujada, destruída, com apenas um prato só, no qual estava seu coração...
Em sua mesa ele reflete sobre suas tarefas. Obrigações corriqueiras e um dia-a-dia fútil e sempre igual. A rotina domina sua vida com tal força que ele já nem sequer se lembra da sua última grande emoção. Tudo é tão igual e tão normal que ele aparenta estar todos os momentos movido pela alavanca de automático.
Amanhece; mais um dia, mais uma camisa branca, um par de meias negras, a cueca azul, uma gravata combinando com a calça e seu inseparável estojo de canetas. Nada diferente; o mesmo caminho, o mesmo sinal aberto... Um maluco cruzando a faixa, uma batida espetaular, que não estava nos planos.
Ele sobrevive, milagrosamente, assim como a mulher que atravassava a rua n momento do acidente. O proprietário do outro carro morre antes de ser retirado dos escombros. Ambos vão ao hospital e à delegacia, onde as conversas triviais sobre quem sofre o mesmo maç são inevitáveis:
- Pois é, escapamos de uma boa, hein?
- É... Meu cehefe deve estar maluco, mesmo depois de ter sido avisado.
- Não esquenta, empregos passam, a vida só pode ser vivida uma vez.
- Acho que você tem razão.
E assim trocaram nomes, telefones, combinaram de sair e começaram a levar um relacionamento agradável, onde ele a ensinava a ser séria e compenetrada, enquanto ela doava a ele consideráveis parcelas de irresponsabilidade e o ensinava a aproveitar melhor seus momentos.
Ele aprendera tão bem que trabalhava feliz, com um sorriso invejado e com uma produtividade assustadora. Todos perguntavam o segredo de seu sucesso e ele prontamente respondia:
- Equilíbrio.
A vida era boa, até o dia em que ele foi promovido a vice-presidente. Seus horários eram apertados, horas extras incontáveis e, por consequência, uma mulher infeliz. Infeliz a ponto de procurar felicidade em outro lugar. sua última declaração veio em um bilhete:
" A balança pendeu demais para você e o prato entornou. Fique com seu maldito dinheiro porque eu vou tratar de ser feliz. Até nunca mais!"
Após isso resolveu mergulhar no trabalho a fim de livrar-se do vazio. Mas não produzia como antes, era desatento e não cumpria mais prazos, por mais elásticos que esses fossem. O inevitável ocorreu:
- Max, você está demitido.
- Mas você não pode fazer isso! Eu sacrifiquei tudo por essa empresa. Eu dei meu sangue.
- Eu sei Max, mas você já não rende como antes, você parece estar desiquilibrado.
- EQUILÍBRIO??? EQUILÍBRIO??? Quem é você para me falar sobre isso, seu maldito!!!!
Um movimento rápido e Max abria o peito de seu chefe com um abridor de envelopes. Sete golpes e a consciência recuperada, mas em pandarecos pelo ato desumano que cometera, resolveu então tomar a mais drástica das atitudes.
Enquanto seu corpo voava do décimo terceiro andar até o chão Max lembrava-se dos períodos felizes ao lado de sua amada e das coisas boas que ala lhe trouxera. Agora era tarde demais e antes de atingir o chão Max apenas viu a imagem de uma balança; enferrujada, destruída, com apenas um prato só, no qual estava seu coração...
Conhecendo o autor
Esse cara é meu ídolo, e já dá de cara pra sacar porque!!! Quem tem Winmx ou outra peer to peer, procure por "MATADOR DE PASSARINHOS", que também é sensacional
Rogério Skylab; Convento das Carmelitas
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei uma freira passar, esperei, esperei.
A primeira freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A segunda freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A terceira freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A quarta freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A quinta freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A sexta freira que passou, estrangulei.
Os dias e as mortes em série me fazem tão bem.
P.s - Já que a minha vida está em jogo, vou fazer um conto pra hoje ainda!
Esse cara é meu ídolo, e já dá de cara pra sacar porque!!! Quem tem Winmx ou outra peer to peer, procure por "MATADOR DE PASSARINHOS", que também é sensacional
Rogério Skylab; Convento das Carmelitas
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei uma freira passar, esperei, esperei.
A primeira freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A segunda freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A terceira freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A quarta freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A quinta freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A sexta freira que passou, estrangulei.
Os dias e as mortes em série me fazem tão bem.
P.s - Já que a minha vida está em jogo, vou fazer um conto pra hoje ainda!
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